segunda-feira, 4 de junho de 2007

DESASSOSSEGOS DA (minha) IMAGINAÇÃO

(produção atelier pedroso)

Uma folha em branco é sempre um momento único, quase mágico.
Que diálogo estabelecerei comigo, que pensamento me irá atingir, que traço conduzirá o lápis?
Quem conduz quem ou, de outro modo, o que é que conduz o quê?
Mais um traço…que quererá este dizer?...outro traço…e mais outro…
Volumes embrionários, formas em evolução…um constante decifrar, umas vezes calmo, outras vezes quase dramático.
E nesta constante descodificação de traços, formas e volumes, muita vezes se chega a becos sem saída - mas há que lá ir para se saber que não é por ali.
Outras quase nos dominam mas não nos convencem… falta-lhes qualquer coisa.
Até que há um momento qualquer - nem sempre atingido - onde este desassossego sossega e a alma feita desenho se acalma.

6 comentários:

Anónimo disse...

Como é que não hás-de andar desassossegado, escreves poemas sobre arquitectura e não pôes os Dec-Lei, deves pensar que assim te aprovam isso. cá para mim ainda vão tentar dizer que andas a ganhar dinheiro com a poesia. Vê lá no que te metes. Um abraço do fanan

Anónimo disse...

Fanan: não matam mas moem. Só que há mais vida para além da burocracite: enquanto houver lápis, papel e imaginação não há burocrata que nos vença. Grande abraço.

Anónimo disse...

Pois é:o mal - ou o bem, depende da perspectiva de cada um - de muita arquitectura é que é traçada sem poesia.Fanan, queiras tu ou não, vocês são muito melhores quando o vosso lápis risca atrás de um poema qualquer.Eu sei bem que na arquitectura das nossas cidades vocês nos dão,quantas vezes, música pimba quando a malta iria ao rubro com uma sinfonia de Chostakovitch.Mas eu compreendo... compreendo... é a vida.

Anónimo disse...

Moss vitor se conseguir aprovar o projecto no prazo legal, os meus clientes até me deixam fazer sinfonias, com um ano para aprovar, deixam-me fazer uma musiquinha tipo Chico buarque, mas com o tempo que leva a Câmara de Loulé até uma musiquinha tipo Emanuel já não está mal. Para não falar nas sagradas escrituras que dependem das não menos sagradas licenças de habitabilidade. Um abraço do fanan

Anónimo disse...

Aqui de Bruxelas, putativa (suposta) capital da Europa - como diria o meu já distante professor VPV - je dis (não sei ainda como traduzi-lo em flamengo): concordo com o Vítor, que aproveito para saudar, como antigo Presidente da terra do meu pai. Toda a arquitectura deveria ser precedida de um poema (ou de uma sonata do Chostakovitch) e toda a gente, mesmo a que consome música pimba, apreciaria. Atrevo-me um palpite: no sistema das Belas-Artes delineado pelos muito iluminados fundadores da estética, no século das Luzes, a arquitectura é possivelmente a forma que melhor tem resistido à tão glosada crise da arte contemporânea. O porquê, deixo-o aos arquitectos, mas talvez se possa adivinhar a explicação no facto de ela implicar por essência, mesmo nas suas versões mais vanguardistas, uma permanente exposição pública. Queria por isso felicitar o João pelo seu texto - uma síntese poética muito bonita do processo de criação, não apenas arquitectónico - e pelo seu blogue, que duma forma original, lúdica e inteligente faz a pedagogia e permite o debate sobre as diversas componentes e implicações do seu ofício, tão necessário à reconciliação do homem (e da mulher) com a cidade – tão necessário, numa perspectiva que mais me interessa, à reabilitação da paisagem do Algarve. Serei um leitor muito interessado. Miguel.

Anónimo disse...

Caro Miguel:mais uma vez, grato pelas tuas reflexões.
Este blogue pretende,de facto, constituir-se como um espaço para pensar em arquitectura, falar de cidades, meditar sobre o acto criativo.
Muitas vezes se esquece que é através da arquitectura que se vai construindo o espaço urbano, o enquadramento físico onde se desenrola a maior parte do nosso quotidiano. E aqui, por força do hábito, não nos apercebemos quanto este enquadramento físico - a cidade - afecta as nossas sensações, a nossa agressividade, os nossos equilíbrios.
No meio de um conjunto de objectos edificados seremos meros utilizadores. A " urbe " constrói-se com poética e assim se torna em local que nos permite ser mais que utilizadores e atingimos a possiblidade de nos tornarmos cidadãos.