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sexta-feira, 3 de junho de 2011

PARABÉNS ARQUITECTO SOUTO MOURA

Coube a Eduardo Souto de Moura a atribuição do prémio Pritzker 2011, o maior galardão mundial na área da arquitetura. Eduardo Souto de Moura ganhou o prémio pelo seu "rigor e precisão", anunciou a Fundação Hyatt, promotora do galardão.
Este prémio anual, criado em 1979, tem como objetivo distinguir um arquiteto vivo e é considerado o Nobel da arquitetura.
São projectos seus o estádio de Braga, centro de arte contemporânea Graça Morais, o projecto de remodelação da pousada de Santa Maria do Bouro, etc.



Para Souto Moura, o prémio Pritzer foi-lhe atribuído pelo seu estilo sóbrio de um país marginal.



Segundo ele:
“Só se diz mal. Os juros sobem, somos desacreditados, a Merkel diz que temos férias a mais... não temos sido bem tratados. O prémio é uma boa vingança.”
"É um gosto para mim próprio, ver os meus alunos e colaboradores a mostrar obra feita.
E não é normal, não o digo por patriotismo ou nacionalismo bacoco, que um país pequeno possa ter sete, oito, nove arquitectos com uma qualidade daquelas. A ciência, a arquitectura, está de parabéns."

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A SIZA O QUE É DE SIZA

Mais um prémio para Siza.
A Fundação Cristóbal Gabarron atribuiu o Prémio Internacional de Artes Plásticas 2010 ao arquitecto português Álvaro Siza Vieira. Entre 31 candidaturas, o júri destacou a sua obra por ser “transparente e respeitosa com o ambiente onde se enquadra”,"o magistério, a relevância internacional e a inspiração poética". Prova disso, destaca, são o edifício da Universidade do País Basco, ou o Centro Meteorológico da Aldeia Olímpica de Barcelona.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

MODERNO AO SUL



É raro assistir no Algarve a um evento de promoção e divulgação da obra de um arquitecto algarvio, mas a partir de hoje e até final de Novembro, é possível visitar a exposição da obra de Manuel Gomes da Costa, em Faro.
Este arquitecto, cujos projectos estavam muito marcados pela corrente da "escola do Porto" e por Óscar Niermeyer, abriu uma brecha na região para dar entrada ao modernismo. Segundo os seus valores, a arquitectura devia ser "leve, solta, democrática, humana, adaptada ao lugar e ao clima".
São obras suas, o edifício Tridente e o Colégio do Alto em Faro, a Cooperativa Agrícola de Stª. Catarina da Fonte do Bispo e muitas moradias em vários pontos do Algarve, algumas delas já demolidas.
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Museu Municipal de Faro até 29 de Novembro.
A exposição segue depois para Vila Real de Stº. António, terra natal do autor.

quinta-feira, 26 de março de 2009

LUTO

Em memória de A. R..


quinta-feira, 12 de março de 2009

PRÉMIO SECIL 2008- NUNO BRANDÃO


O arquitecto Nuno Brandão Costa, é o vencedor do Prémio Secil Arquitectura 2008 com o edifício administrativo e de mostra “Móveis Viriato”, na Rebordosa, Porto.
Com esta escolha o Júri pretende fazer sobressair dois aspectos importantes para a prática profissional contemporânea: a disciplinar, cumprida pelo rigor construtivo e de desenho da obra em causa; a social e pública, por abordar um programa comercial nem sempre entregue a arquitectos.
O edifício está inserido numa paisagem industrial e menos qualificada, mas demonstra a capacidade da arquitectura transformar a envolvente, um dos seus princípios fundadores.
Nuno Brandão Costa nasceu em 17 de Fevereiro de 1970, no Porto. Ingressou no Curso de Arquitectura no ano lectivo de 1988/89, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) tendo concluído em Julho de 1994.
Realizou um estágio curricular no âmbito da licenciatura, entre 1992 e 1993, como colaborador no gabinete “Herzog & de Meuron, archiktekten”, em Basileia na Suiça.
Recebeu, entre outros, o Prémio revelação e mérito “Jornal Expresso / SIC – 12 anos”, em Novembro de 2004 e foi Finalista Prémios Jornal Construir 2007, em Junho de 2008.
Entre os vários trabalhos como autor distinguem-se os projectos para a Câmara Municipal de Matosinhos, Câmara Municipal de Caminha, Reitoria da Universidade do Porto e Câmara Municipal de Vendas Novas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ÁLVARO SIZA VIEIRA

(foto oficial)

Álvaro Siza Vieira recebeu ontem em Londres a 'Royal Gold Medal for Architecture 2009', atribuída pelo Royal Institute of British Architects.
"Arquitectura magistral" foi a expressão usada pelo júri para justificar a entregado prémio ao arquitecto português.
Siza Vieira obteve a consagração internacional em 1992 quando recebeu o Prémio 'Pritzker' considerado o Nobel da Arquitectura. Em 1998 recebeu a Medalha 'Alvar Aalto', do nome do prestigiado arquitecto finlandês, e em 2001 o 'Wolf Prize in Arts', conta ainda com três prémios Secil (1996, 2000 e 2006).
As obras mais destacadas de Álvaro Siza incluem as famosas Piscinas de Leça da Palmeira, a Casa de Chá da Boa Nova e a Igreja de Santa Maria em Marco de Canavezes, o Pavilhão de Portugal da Expo 98, o Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela, Espanha, a nova sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, Brasil e a Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Lleida, na Catalunha, Espanha.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

LE CORBUSIER

(Villa Savoye)
Quando em 1930 se naturalizou cidadão francês e lhe perguntaram pela profissão, Le Corbusier respondeu “Letrado”.

Passados 120 sobre o seu nascimento, o Museu Berardo, organiza a primeira grande exposição em Portugal, deste arquitecto cuja produção criativa passou também pela pintura, design, escultura, cinema e literatura.
Le Corbusier é considerado um dos maiores arquitectos do séc. XX, pela forma radical e inovadora (à época) de fazer arquitectura.
(Chaise longue)
Entre 1942 e 1948, após ter estudado a arquitectura da Grécia antiga e a medida grega do homem, desenvolveu um sistema de modulação que publicou com o nome de “Modulor”, baseado na razão de ouro e nas dimensões médias humanas, tendo estabelecido 183 cm como altura standart.
Le Corbusier fez projectos para diversos paises para além da Europa, nomeadamente Argélia, Estados Unidos, India, Brasil e Argentina, tendo as viagens a estes dois últimos marcado fortamente as suas obras posteriores.

(Litografia "Composição II")

Na exposição agora inaugurada em Lisboa, podem ver-se maquetes dos seus projectos, pinturas, esculturas, desenhos, peças de mobiliário e objectos da sua colecção particular.
Foi também elaborada uma lista de 23 obras candidatas a património mundial da UNESCO.

terça-feira, 4 de março de 2008

JOSÉ TELO ZUQUETE

Enquanto a vontade teime em não apagar da memória os amigos com quem cruzámos.

"... O Hotel do Cerro foi inaugurado num sábado dos fins de Maio, tempo morno e sol brilhante, época de figos lampos.
Chegados na véspera, ao cair da noite, os primeiros turistas encontraram – muitos deles pela primeira vez – um Algarve de céu limpo, sem uma ponta de vento e um mar estanhado que parecia artificial.

- Havia uns dias bons que ninguém dormia – intercalou o arquitecto.
Operários, encarregados e técnicos, todos numa fona, em pé à força de nervos e de álcool, olheiras fundas e olhos a brilhar.
Um mês louco.
Lembro-me, em particular, das olheiras do João – já sem gesso e cheio de irras! E a inventar palavras novas de dez em dez minutos – das rugas do Bernardo, do Carlos a cirandar como um tigre enjaulado, mas nenhum de nós devia andar com muito boa cara.
O pessoal do hotel a chegar aos poucos, as instalações a arrancar, uma a uma, as asneiras a saltar como moscas, curto-circuitos, encravamentos, alterações de última hora na cozinha, na recepção, na central telefónica, nos bares, câmaras frigoríficas com termostátos surrealistas, ventiladores a desintegrarem-se ao fim de uns minutos de uso.
Quando o Morrison – esteve lá o mês inteiro – dizia: - arquitecto, parece que temos um problema... - havia de ser uma daquelas grandes gaitas que chateavam meio-mundo até, saberia Deus, quando.
Não era só ele que via, todos víamos – e havia coisas que era possível – ainda – fazer e outras que não. E era com essas que eu dormia todas as noites.
E acrescentar – acrescentar, irra! - acrescentar tudo o que esquecera, prateleiras aqui e acolá, depósitos para as coisas mais diversas, luzes, avisadores, relais, guias, defesas, protecções, suspensões.
Meses que só se podem viver uma vez.
O Moura pintou e envernizou a noite inteira até, às seis da manhã, ir tomar um duche e vestir o fato inteiro e o colete de ocasião, o Chapim, teimoso, arrastou com ele a equipa inteira de electricistas durante quatro dias e quatro noites e só parou depois de ter encontrado todos os curto-circuitos e verificado a totalidade da instalação, ponto a ponto, caso a caso.
O Carlos e o João estiveram em todo o lado, o Tavira e o Oliveira desdobraram-se, o Bernardo pisava duro – duríssimo – eu larguei uns porras! Altos demais.
Parecia que tinhamos fogo debaixo do rabo.
Entretanto desembarcaran no hotel as coisas mais variadas – desde as bombas para o tratamento de água das piscinas até aos talheres para o restaurante e às bebidas para os bares.
A Lija comandava um batalhão de cortineiras, mergulhadas até ao pescoço num mar de tecidos variados, onde só elas se entendiam.
Chegavam impressos para a contabilidade e para a recepção, mesas, cadeiras e almofadas, tachos e panelas, máquinas sortidas, pratos aos milhares, grandes e pequenos, toalhas de todos os formatos, cinzeiros, candeeiros, gravuras, pinturas – e duas tapeçarias, manuseadas como tesouros do Oriente.
Um mês frenético.

- Passado um tempo – disse o arquitecto – torna-se difícil entender como foi possível fazer-se o que se fez.
Não respondi e ele continuou:
- Estados de nervos, talvez... A fúria de acabar.
Um mês de fúria? Uma ou duas directas todos nós fizémos, mas um mês?
- Era uma fúria antiga – disse, quando lhe perguntei – não era uma fúria de um mês.
E sem olhar para mim:
- Era um elástico esticado, muito esticado havia dois anos, quase a partir. Ou dávamos cabo da obra ou a obra dava cabo de nós. ..."

In "Cerro Lamy"
Arquitecto José Telo Zuquete (1/8/1939 - 26/2/2008)
Este trecho pertence a um dos vários livros por ele escritos entre 2002 e 2007 que muito gostaríamos de ver publicados, especialmente a "Alma" e "Cerro Lamy".
Dói perder um amigo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

OSCAR NIEMEYER - "A VIDA É UM SOPRO"

"Não é o ângulo recto que me atrai.
Nem a linha recta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva leve e sensual.
A curva que encontro nas montanhas
do meu país,
no curso sinuoso dos rios,
nas ondas do mar
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o Universo.
O universo curvo de Einstein."

Oscar Niemeyer fez 100 anos no dia 15 de Dezembro.
O arquitecto nascido no Rio de Janeiro, tem como obra mais emblemática o conjunto de edifícios projectados para Brasilia nos anos 50, cidade inaugurada em 1960 e classificada Património da Humanidade pela UNESCO.
A capital do Brasil, é fruto da vontade do presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira que prometia “fazer cinquenta anos em cinco”, tendo sido o Urbanista Lúcio Costa a fazer o plano piloto da cidade em forma de avião e orientada segundo os pontos cardeais.
Comunista e ateu, Oscar Niemeyer continua a trabalhar diariamente sendo a sua mais recente obra o Museu Nacional de Brasilia.