quinta-feira, 18 de junho de 2009

No decurso de (mais uma) tentativa de ir arrumando os papéis, encontrei este interessante fragmento da nossa história: uma casa localizada na, então, denominada Ilha do Ancão (hoje ilha de Faro) e que estava exactamente implantada na divisão dos concelhos de Loulé e Faro.
De acordo com a descrição constante na Caderneta Predial Urbana, tratava-se de um prédio urbano, construído em madeira e destinava-se ao comércio de pão. Seria objecto de reconstrução em 1954.

TÁCITO


Combatendo divididos, foram totalmente derrotados.
Tivessem permanecido inseparáveis, teriam sido insuperáveis
.”
Tácito
sobre os Celtas da Península Ibérica
(56-117 d.C.)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

UM NOVO EQUILIBRIO

Saber como chegámos aqui é essencial para saber como vamos sair.


Uma acusação antiga é que a dinâmica do capitalismo leva a crises de sobreprodução, ie, a crises provocadas por uma produção excessiva face à procura existente. Quando se ouve falar em programas de demolição de casas surge-nos a imagem de uma crise de sobreprodução igual às que, no passado, levaram à destruição de café ou de outros bens.

Claro que a procura efectiva depende dos salários, da distribuição do rendimento e da riqueza, ou seja, quanto mais baixos forem os salários e mais dispare for a distribuição do rendimento mais difícil é gerar procura efectiva. Quanto menos dinheiro chegar aos pobres menos procura há.

Nos EUA 50% da população detém 2,8% da riqueza. Esta desigualdade extrema não pode permitir que a procura efectiva equilibre e absorva a produção.

Não pode?

Nos EUA pôde. Para isso usaram-se todos os truques possíveis e imaginários, produtos financeiros com nomes impronunciáveis, contrataram-se pós-doutorados em matemática e física para que o sistema financeiro conseguisse – de acordo com os preceitos em vigor – fazer esticar a procura até ao nível necessário. Isto foi feito pelo endividamento dos americanos incluindo os que não tinham, já então, capacidade de cumprir o serviço da dívida (os empréstimos sub-prime).

O filme dos últimos anos chamou-se, assim, prolongar o crescimento da procura à custa do endividamento extremo.

O filme actual chama-se: calafetar os défices dos agentes o menos mal possível até se conseguir um novo equilíbrio. A destruição de riqueza foi muito grande e por isso esse novo equilíbrio ainda demora e demorará tanto mais quanto mais lentamente se corrigir a extrema desigualdade da distribuição do rendimento no Mundo.


Luis Rosa

ACORDO ORTOGRÁFICO DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E DO URBANISMO- D.R. 9/2009

-Um chapéu(?)-

"...Pretende-se, assim, através do presente decreto regulamentar, evitar a actual dispersão e imprecisão de conceitos utilizados por instrumentos de gestão territorial, nomeadamente o recurso a expressões que não são objecto de definição, a utilização do mesmo conceito com diferentes significados ou do mesmo instituto jurídico com diferentes designações, bem como a utilização de conceitos indeterminados ou incorrectos..."

- Não, é uma jibóia que engoliu um elefante-

(Imagens do livro O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry)

Decreto Regulamentar 9/2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PRÉ-VISÕES

O FMI divulgou o World Economic Outlook com análise e previsão para a economia mundial até 2012. Destaco alguns aspectos para a zona euro.
1-o FMI diz-nos que é improvável que até 2012 a taxa do BCE vá acima de 2%. Vamos continuar a viver num mundo de juros nominais baixos mas, provavelmente, num mundo de juros reais altos.
2- Diz-nos ainda que a inflação na zona euro não vai ultrapassar 2.5% e há o risco de um período deflacionista. Em média o FMI prevê uma taxa de inflação de cerca de 1% até 2012.

3- O crescimento da economia irá recuperar em 2009 e 2010 mas em 2011 e 2012 o crescimento será apenas positivo (1%).

4- Com crescimento anémico até 2012 o desemprego, no melhor dos casos, irá estabilizar em redor dos 11%.
Qualquer que seja o seu grau de falibilidade estas previsões traçam um quadro de referência útil para os agentes económicos.
Luis Rosa

segunda-feira, 25 de maio de 2009

CAIS DAS COLUNAS



O responsável pelo projecto de renovação do Terreiro do Paço, o Arq. Luis Bruno Soares, vai fazer a apresentação do Estudo Prévio na secção Sul da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa. Este colóquio faz parte de um conjunto de acções de esclarecimento público, que a Frente Tejo irá realizar, com o objectivo de apresentar a fundamentação da proposta para uma das mais emblemáticas áreas de Lisboa.
26 de Maio – 21 h.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

DIA DA ESPIGA


Por cá hoje é feriado, bom dia para contar histórias.

TRÊS ESPIGAS

Três espigas encontram-se à beira da mesma mó. Uma de centeio, outra de trigo e a terceira, uma grande espiga de milho.
Todas muito antipáticas umas para as outras.
Dizia o trigo para o centeio:
– Chega-te para lá, centeio centeiaço
que tu não fazes as funções que eu faço.
Ao que o centeio lhe respondia:
– Cala-te lá, trigo espadanudo
que tu não acodes ao que eu acudo.
Mas o espigão de milho era o mais ralhão:
– Caluda! Tudo caluda!
Vocês não são como eu graúdas,
vocês não são como eu barbudas,
vocês não são como eu folhudas,
vocês não são como eu rabudas.
Calem-se lá, espigas miúdas
suas choninhas, suas lingrinhas,
suas fuinhas, caras bicudas,
comigo não fazem vocês farinha!
As outras iam para responder, mas a mó pôs-se a trabalhar...
E não é que a farinha delas e de outras mais, de centeio,
de trigo e milho, foi parar a uma padaria – veja-se a
coincidência! – especializada, precisamente, em belos pães
de mistura?
Provei um, ainda quente, barrado com manteiga.
Estava óptimo!"

António Torrado

quarta-feira, 20 de maio de 2009

VERDÍSSIMA



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Loja de lingerie

DECRETO LEI 119/2009


Este Decreto Lei procede à primeira alteração ao D.L nº 379/97, que aprova o Regulamento que Estabelece as Condições de Segurança a Observar na Localização, Implantação, Concepção e Organização Funcional dos Espaços de Jogo e Recreio, Respectivo Equipamento e Superfícies de Impacte, nomeadamente parques infantis, insufláveis, trampolins e parques de skates.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CONCELHO DE QUARTEIRA

Não é só o Tony Carreira que menciona o concelho de Quarteira, como parece ter acontecido ontem no concerto que deu nesta cidade; esta menção também surge no Diário da República, no seu índice, ao publicar o regulamento do porto de pesca do concelho de Quarteira.

Quem pense que se tratam de "gaffes" está enganado, com certeza foram modestas homenagens (destes bons corações) à comemoração (ontem) dos 10 anos de elevação de Quarteira a cidade.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

NAUFRÁGIO

No dia 7 de Junho de 1704 naufragou ao largo da costa de Quarteira o navio espanhol Nossa Senhora del Carmen na sequência de combates contra os ingleses.



Tradução livre do documento:
“Senhor, com consulta de 17 de Março deste ano, pôs o Conselho nas reais mãos de Vossa Magestade, as cartas que recebeu do Presidente da Casa da Contratação e Consulado de Sevilha dando conta de ter naufragado na costa de Portugal entre as barretas de Faro e Quarteira o navio Nossa Senhora del Carmen, que vinha de Buenos Aires. (Conselho de Índias, 28 de Junho de 1704)."

ARTE E CRISE

Historicamente o mercado de arte fecha os ciclos da economia ao contrário do mercado imobiliário que tem ganhos mais fortes nas fases iniciais dos ciclos.
O gráfico mostra (índice AMR Art 100 Top 25%) que desde 2005 o mercado da arte tem estado em boom com crescimentos que atingiram 50% ao ano. O gráfico tb mostra que este índice está, nos últimos meses, a cair e especialistas no sector prevêem a continuação desta tendência.

Taxa de crescimento annual

Source : Bloomberg, Credit Suisse


Há, ainda assim, 2 mercados de arte com comportamentos distintos: o Mercado de arte contemporânea e o mercado dos old masters. O primeiro é muito mais volátil enquanto o segundo deverá resistir melhor a uma fase recessiva.
Há 2 factores intrínsecos à crise que ajudam a explicar o que vai acontecer ao mercado de arte: a subida estrutural do risco e a destruição de riqueza. O 1º torna as decisões neste mercado mais difíceis, mais lentas. Os negócios são mais ponderados. O 2º refere-se às perdas que afectaram a riqueza dos maiores compradores de arte dos últimos anos – pessoas extremamente ricas da Rússia, Médio Oriente, China e Índia. Esse efeito riqueza negativo tende a afectar a procura de arte.
Chegámos a um tempo em que mesmo uma bela arte pode ficar muito feia.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

DIA DA TERRA


Será que os filhos dos nossos filhos poderão também vir a ver esta imagem?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

CASA FERNANDO PESSOA

Retrato de Fernando Pessoa feito por Almada Negreiros em 1964 e patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian

"TUDO VALE A PENA QUANDO A ALMA NÃO É PEQUENA"
Fernando Pessoa


"...o Espólio documental de Fernando Pessoa deve ser classificado como tesouro nacional..." foi hoje publicado em Diário da República.


Para ver (ler) mais:
Casa Fernando Pessoa
Rua Coelho da Rocha, 16 Campo de Ourique 1250-088 Lisboa

VERDÍSSIMA


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1 9 9 9 LOJA DE LINGERIE

segunda-feira, 13 de abril de 2009

ILHA DE QUARTEIRA


(mapa de 1671)

O post de hoje resulta de uma vontade antiga de saber, de conhecer a história de Quarteira.
Dos relatos ouvidos (a ilha dos Cães) e das informações que se vão recolhendo, por vezes, é possível mostrar um puzzle, mesmo que este apresente mais peças em falta do que preenchidas.
Aqui juntamos uma cópia de um mapa antigo do Algarve (dada pela Esmeralda e pelo Rui) e um estudo sobre Quarteira de Luis Fraga da Silva, Investigador de história Territorial, membro do “Campo Arqueológico de Tavira”.
Na reprodução que fizemos do mapa, vê-se a marcação de uma ilha (pintada a amarelo), bem maior que a Ilha de Faro, em frente da costa, virada a poente correspondente à distância desde o que é hoje a Quinta do Lago até à ribeira de Quarteira, ou seja Vilamoura. Segundo alguns historiadores, a antiga Quarteira, vila piscatória e de comércio de sal, foi fundada em 504 a.C. E situava-se em frente da actual cidade, no local a que os pescadores chamavam “Presa da Eira”, tendo desaparecido submersa pelo marmoto de 1755.
Publicamos agora parte do estudo de Luis Fraga da Silva, com a autorização do autor e que pode ser consultado na íntegra no blog “
Imprompto”.


"Geografia costeira antiga
A ribeira de Quarteira terminava então num enorme páleo-estuário interior, limitado a Ocidente pela falésia do Outeiro do Casão e a Oriente pelo Cerro da Vila, que formava uma pequena península interior. O fundo do estuário atingia a área da actual quinta de Quarteira e a transgressão marítima ocupava a Oriente as áreas arenosas até Quarteira-Velha. Uma notícia do Séc. XVII, refere uma séria de ilhas entre Albufeira e Faro, destacando uma cuja ponta se chama Pedras Negras, ao largo (Pedro Texeira, Descripción de las costas y puertos de España, 1634): Adelante della aze la costa vna plaia en la qual está la villa de Albufeira. Tanbién en esta ensenada ay muncha pesca de atunes, que en toda esta costa los ay en gran número, rematándose esta dicha plaia con vna punta por junto a la qual se entra en el mar vn riachuelo. Y en la orilla de la parte del leuante de el se sigue la costa baxa y con vnas yslas junto a ella que sólo se diuiden de la tierra por vnos angostos canales de agua. Son todas estas yslas que uan seguiendo toda esta costa al leuante de arena. Y la punta de la primera que queda referido se llama Piedras Negras. Vna legua por entre la ysla y la tierra está vna torre que llaman Torre de la Quarteira. Della a otra legua se entra en la barra y puerto de la çiudad de Faro.(in El Atlas del Rey Planeta, Ed. Felipe Pereda et alii, Nerea, San Sebastián 2002, p. 342, fol. 56r)"

quarta-feira, 8 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

TERRAMOTO

(Aquila 6/4/09)

O Terramoto de Aquila faz-nos pensar, dá medo. E se acontece aqui onde vivemos?
Os edifícios seculares e mal conservadas têm um grau de risco de destruição elevado, muito do património arquitectónico pode ruir e as construções mais recentes (com estruturas calculadas para resistir aos tremores de terra) não ficarão imunes a estragos. Mas dentro dos edifícios estão as pessoas, que os utilizam, que neles vivem, trabalham, circulam e sofrerão as consequências de um terramoto. Evitando questões como quem deveria pagar a reabilitação das casas, quais os edifícios públicos que não oferecem segurança ou se os planos de emergência da protecção civil estão “oleados”, podemos olhar bem para a nossa casa e para o local onde trabalhamos e pensar no que poderá correr mal numa situação destas.
“Quanto mais alto está, maior é a queda”, por isso, mesmo que a casa não venha abaixo o mobiliário e objectos nela instalados poderão vir, é o caso de estantes que não estão fixas às paredes, dos pratos de porcelana na parede da casa de jantar, o relógio de cuco da avó, o ar condicionado sobre a porta do quarto ou o lustre bem no meio do tecto do hall. Numa situação destas, só o som do serviço de copos a tilintar e a estilhaçar arrepia. A fuga para fora dos edifícios não deixa de ter os seus riscos, por um lado o uso das escadas que podem estar atafulhadas com vasos e vasinhos, bicicletas e estendais, por outro a saída para a rua com o risco de queda de tudo o que povoa as nossas varandas mais os vidros das janelas.
É sempre melhor pôr as trancas na porta antes de a casa ser roubada.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O BOBO

foto T.P.
Se corremos os jornais de fio a pavio ou se vemos os noticiários todos os dias o que se recolhe são notícias da crise: empresas a fecharem, desempregados angustiados, a construção civil à espera do tiro de partida do governo, o sector automóvel a reinventar bóias de salvação e a banca no estaleiro para desinfecção.
De vez em quando, como ontem dia 2 de Abril, o BCE tenta alegrar os endividados com mais uma baixa da taxa de juro, neste caso de 25 bp para 1.25%. A malta alegra-se, os precipitados apologistas do princípio do fim fazem subir os índices accionistas e há mesmo quem jure que a Primavera já começou. Mas no fundo ainda há muito osso para roer.
Falar só de desgraças desgraça-nos. Por isso é que mesmo nos momentos mais cruéis a corte medieval não dispensava os ditos do seu bobo. Era o tipo que contava umas histórias, umas anedotas, ria do trivial e do perigoso, desanuviava o ambiente mas permitia-se, ao mesmo tempo, desembrulhar a verdade. Por muita asneira que fizesse no máximo apanhava uns pontapés.
A função do bobo é, por isso, de grande importância em períodos de crise e de perigos. Um país sem bobos é um país incapaz de dar a volta por cima, incapaz de ultrapassar as dificuldades. Por isso, não há razão para estarmos pessimistas. Em Portugal o bobo está por toda a parte, pode ser um qualquer. Tanto pode ser hoje condenado por corrupção como ser amanhã CEO de uma empresa inter-municipal. É isto que nos alegra e anima.
Ou será que os bobos somos nós?
Luis Rosa

PORTARIA 358/2009 - EQUIPAMENTOS DE LAZER EM EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS


Aos empreendimentos turísticos impõe-se uma oferta, cada vez maior, de instalações e de serviços complementares, essencialmente no que respeita à prática de actividade física com carácter recreativo e de bem-estar. A Portaria hoje publicada vem regulamentar estas instalações e equipamentos de lazer, tais como as piscinas, espaços destinados à actividade física, equipamentos de balneoterapia, nomeadamente sauna, banho turco, duche escocês, jacuzzi, piscina de hidromassagem, espaços de jogo e recreio infantil, entre outros.

Este diploma foi precedido de consulta, entre outras entidades, às associações empresariais, designadamente à AIHSA, tendo na altura sido emitido um parecer.
No essencial a participação desta associação foi coroada de êxito, uma vez que as grandes reservas colocadas se centravam nas instalações de apoio das piscinas e dos ginásios.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

IKEA: PARQUE DAS CIDADES VERSUS CAMPINA DE BAIXO ?

Li com atenção – e distância crítica – o artigo publicado no “Correio da Manhã" em 30 de Março de 2009. Em grandes parangonas, o título do artigo diz: “Maior IKEA ibérico nasce em Loulé“. Refere ainda o artigo que se pretende implantar este grande IKEA junto do Parque das Cidades, havendo duas localizações referenciadas.
Quem anda nestas coisas sabe há muito que se fala deste investimento.
E sabe também que a primeira localização na “calha“ estava nas ou perto das encerradas instalações da Unicer (Campina de Baixo).
O assunto interessa-me em particular sob o ponto de vista urbanístico: estas três putativas localizações surgem apenas e só em resultado de escolhas meramente tecno-comercias dos investidores (e intermediários) ou são o resultado de uma visão estratégica para desenvolvimento do Concelho e da Região, nunca perdendo de vista o correcto ordenamento do território ?
Comecemos pelas localizações.
À escala regional, ambas me parecem perfeitamente equivalentes no que a acessibilidades se refere: qualquer das localizações é servida com a mesma proximidade por nós viários que ligam directamente à Via do Infante.
Ainda à escala regional e supra-regional (leia-se conquistar mercado do sul de Espanha) a mesma equivalência não torna uma localização melhor que a outra.
Agora, no que se refere à competitividade entre concelhos, as lutas já começaram. José Apolinário (actual presidente da Câmara Municipal de Faro) defende que este novo IKEA deveria implantar-se a sul do Estádio Algarve, em terrenos que pertencem à Associação de Municípios de Loulé / Faro.
Tanto quando sei, Seruca Emídio (actual presidente da Câmara Municipal de Loulé) estará mais “virado“ para que este empreendimento se localize a poente do Estádio Algarve, em terrenos incluídos (logo geridos) apenas no concelho de Loulé, mais precisamente nos Caliços, freguesia de Almancil.
Assim, às acima referidas razões tecno-comerciais, juntam-se razões políticas emergentes da sempre latente “ puxar a braza à minha sardinha “.
A este propósito julgo interessante ler a entrevista a Vítor Neto, presidente da Associação Empresarial da Região do Algarve, publicada em 26 de Março último, no jornal “O Algarve“. Entre outras afirmações, sem comentários, destaco uma:
“As autarquias são muito simpáticas, mas cada uma delas pensa em si própria: são 16. Cada uma tenta atrair o máximo para o seu concelho para ganhar simpatias e eleitores. Não têm disponibilidade para uma visão integrada da região“.
Quanto à classificação dos solos, tanto quanto apurei, qualquer das localizações referidas está fora dos perímetros urbanos definidos nos PDM’s. Não bastasse este facto, grande parte dos terrenos referenciados para a instalação do IKEA estão incluídos na Reserva Agrícola Nacional… e estamos a falar de uma área com aproximadamente 45 hectares.
Por tudo o atrás exposto fica a pergunta: será isto Ordenamento do Território com uma perspectiva de desenvolvimento estratégico da Região?

terça-feira, 31 de março de 2009

RESERVA AGRÍCOLA NACIONAL- D.L. 73/2009


Foi aprovado o novo regime jurídico da Reserva Agrícola Nacional, revogando o D.L. 196/89.
O novo Decreto Lei está cheio de poesia, a começar pela introdução e continuando pelos objectivos:
"Artigo 4.º
Objectivos

Constituem objectivos da RAN:
a) ...
b)...
c)...
d)...
e) Assegurar que a actual geração respeite os valores a preservar, permitindo uma diversidade e uma sustentabilidade de recursos às gerações seguintes pelo menos análogos aos herdados das gerações anteriores;
f) ... "

Convém pensar que não é pelo facto de este D.L. entrar em vigor daqui a 10 dias que os objectivos sejam atingidos rapidamente (na actual geração). É que a delimitação da R.A.N. só pode ser feita no âmbito da elaboração, alteração ou revisão de plano municipal ou especial de ordenamento do território e nesse caso, vai demorar até dar frutos.

ILHA DE FARO

No dia 2 de Abril vão ser entregues os prémios do Concurso de Ideias para a Requalificação e Ordenamento da Frente de Mar da Praia de Faro. O arquitecto Nuno Brandão Costa foi o primeiro classificado, tendo os 2º e 3º lugares sido atribuídos aos arquitectos Nuno Carrôlo e Francisco Freitas respectivamente. No mesmo dia será inaugurada a exposição com os trabalhos dos concorrentes no Atrium Faro (na Rua de Santo António).
Na análise dos trabalhos o Júri teve em consideração a observância dos seguintes factores:
- Adequabilidade ao Programa Preliminar, tendo em conta os objectivos do concurso;
- Integração nos espaços envolventes;
- Preservação dos valores naturais da paisagem;
- Inovação;
- Valorização dos espaços públicos urbanos;
- Flexibilidade, em termos de adaptação da solução proposta a uma execução faseada;
- Complementaridade do conjunto das ideias face às intenções dos objectivos do Concurso;
- Exequibilidade do conjunto das ideias.

A fase seguinte será o início das obras, mesmo que feitas por fases, são urgentes para dignificar a Praia de Faro.

sexta-feira, 27 de março de 2009

PORTUGAL FORA DE PORTUGAL


A exposição "Arquitectura: Portugal fora de Portugal", está aberta ao público até 9 de Abril na galeria AEDES-Pfefferberg, em Berlim. É uma mostra de 21 projectos de arquitectos portugueses realizados no estrangeiro, em países tão diversos quanto a República Popular da China, a Coreia do Sul, Timor-Leste, Angola, Cabo Verde, Brasil, bem como na Europa.
A exposição resultou de um convite da Presidência da República dirigido à Ordem dos Arquitectos (OA) para a organizar, divulgando por terras germânicas as qualidades dos arquitectos lusos.

quinta-feira, 26 de março de 2009

LUTO

Em memória de A. R..


sábado, 21 de março de 2009

21 DE MARÇO- DIA MUNDIAL DA ÁRVORE

(...) " Impressionante o cheiro de terra que comprimia o seu corpo de semente. No começo, quando o vento a lançara sobre o solo, tinha algum movimento, mas depois o mesmo vento, como se cumprisse uma missão, viera rodopiando, até a cobrir de areia. Aos poucos foi conseguindo respirar, até se acostumar com aquele aprisionamento. Alguma coisa garantia não durar muito... Uma angústia enorme invadia toda a insignificância do seu ser, porque a terra, sempre escura, não contava nada do que se passava do lado de fora. Verdade era que tinha saudade do Sol e dos cantos dos pássaros; entretanto, acalmava-se e tentava compreender que aquele mistério fazia parte necessariamente da sua transformação.
E os dias iam passando, compridos e iguais, aumentando cada vez mais as horas de calor. Às vezes, vermes escorregadios tocavam no seu corpo nervoso e isso fazia com que desejasse voltar ao mundo antigo.
Não podia falar porque a terra quente, abafando tudo, transformava suas palavras em silêncio. Pensou em outras sementes aprisionadas, sofrendo também a mesma angústia da humilde espera.
Até que um dia, uma absoluta calma substitui seus pequenos frêmitos e uma espécie de sono paralisou-a; só foi despertada por um grande ruído. A terra estremecia de medo porque a natureza trovejava. Sentiu o baque da chuva sobre o solo e o cheiro gostoso do chão que estava sendo molhado. Depois... as gotas de chuva introduzindo-se, infiltrando-se, até ao âmago da terra... Vinham cansadas da longa viagem feita do céu através do espaço zangado...
A alma da sementinha despertou porque as gotas se aproximavam cada vez mais. Até que seu dorso foi arrepiado pela frialdade do líquido e uma voz clara falou:
- Ei, menininha! Agora você pode libertar-se; agora você pode perfurar a terra e alcançar a liberdade.(...)

(...) Levantou os braços os braços para restabelecer-se. Nesse momento diversas gargalhadas estouraram.
Encolheu-se rapidamente e levantou a vista para uma porção de grandes árvores. Parece que os seus olhos assustados produziram forte efeito sobre as velhas plantas.
- Olhe- exclamou um pé de simbaíba. - A pobrezinha está tremento de medo.
O velho jatobá agitou levemente a sua grande copa.
-Foi a primeira a nascer. E como é frágil e verdinha!
A palmeira-de-tucum esticou seus dedos finos de espinhos e murmurou com ênfase:
- Pelo jeito será um pé de imburana!
- Engana-se, minha cara. Para o futuro vai transformar-se num belíssimo pé de canjirana-branca – tornou a falar o velho jatobá.
Seus olhos, então, foram percorrendo mais calmamente as árvores grandes e copadas. E como eram lindas! As folhas brilhavam à luz, apresentando um verde claro e sadio. Bem que Dona Chuva dissera que acharia avida exuberante e bela ".

in "Rosinha Minha Canoa" de José Mauro de Vasconcelos

"AS PESSOAS SOMOS NÓS"

Exposição de fotografias de Diana Rosa.
Espaço EMMY, Rua Rovisco Pais (junto ao Instituto Superior Técnico), Lisboa.

sexta-feira, 20 de março de 2009

PERDOAI-LHES SENHORES

Parece anedota, mas não, é mesmo verdade.
É mais um "descuido" do Diário da República.

quinta-feira, 19 de março de 2009

REABILITAR É PRECISO

foto A.P.
No âmbito do Plano Estratégico de Habitação, o Governo vai apoiar a reabilitação das 10.000 casas do parque habitacional das autarquias até 2013. O total dos investimentos será de 120 milhões de euros, sendo 55 milhões de euros para recuperar, até 2011, as casas propriedade do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU). A reabilitação estará dividida em três vertentes: reabilitação do parque público, dos devolutos e reabilitação urbana.
Quanto aos devolutos, além dos apoios públicos excepcionais já previstos no Orçamento de Estado para este ano, será criado o programa Proreabilita, que irá fundir todos os actualmente em vigor; vai ter ainda uma componente de apoio à reabilitação para arrendamento, desde que os fogos se situem em Áreas de Reabilitação Urbana (ARU).

PARQUES DE DIVERSÃO


Segundo um comunicado do Conselho de Ministros o D.Lei 379/97 que regulamenta as condições de instalação dos Espaços de Jogo e Recreio ( parques infantis, skate parques, insufláveis, etc.) vai ser alterado.
As alterações têm como objectivo reforçar as condições de segurança dos recintos, diminuindo o número de acidentes que todos os anos ocorrem. Passam a existir vedações a delimitar estes espaços e as área junto dos baloiços, vigilantes e informações sobre as condições de utilização dos equipamentos.
Aguarda-se a publicação do texto final.

quinta-feira, 12 de março de 2009

SANTO OFÍCIO -1


Este ofício é um parecer da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) sobre um projecto de segurança contra incêndios de uma loja.
Pela 2ª vez é entregue a resposta a este mesmo parecer na Câmara Municipal, em Junho; a data de recepção pela ANPC é de Dezembro (6 meses depois) dando esta entidade resposta em Março (3 meses). Nove meses a "pastar".
O parecer diz:
Os elementos apresentados continuam a não permitir a verificação do cumprimento da legislação aplicável, dado que não incluem memória descritiva e justificativa caracterizando todas as medidas e meios de segurança contra incêndio preconizados."
Isto não é um parecer, nem um pedido de esclarecimento sobre algum ponto em falta: isto apenas diz “eu acho que falta qualquer coisa mas não escrevo o quê”.
A memória descritiva continha informação detalhada sobre os seguintes items:
-Caracterização do edifício
-Caracterização da loja
-Resistência dos elementos construtivos
-Caminhos de evacuação
-Sinalização dos caminhos de evacuação
-Cálculo do efectivo
-Ventilação
-Sistemas de prevenção e de alerta
-Meios de intervenção
-Sistema Automático de Detecção de Incêndios
-Organização de segurança.
Se falta algum “parafuso”, o técnico que dá o parecer tem o dever de dizer qual. Os pareceres são dados não com base em “eu acho que... ” mas especificando os pontos em falta exigidos na regulamentação em vigor.
Apesar do novo regime jurídico sobre segurança contra incêndios vir agilizar os procedimentos relativos aos projectos, o SIMPLEX demora a chegar a determinadas repartições públicas cujas instalações, bafientas, não cumprem uma única regra de segurança contra riscos de incêndio. Exige-se ao privado aquilo que o sector público não pratica.
Não há SIMPLEX que resista.

A MARAVILHA PORTUGUESA EM CABO VERDE

Cidade Velha de Santiago

Uma das Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo em Concurso para a eleição de 7

Não se sabe ainda ao certo quem foram os primeiros nautas a chegar a Cabo Verde.
Ou o veneziano Cadamosto, que estava ao serviço de Portugal, em 1456, ou então Diogo Gomes e António de Noli, em 1460 ou 1461.
Após o descobrimento, a Ilha de Santiago, onde fica a Cidade Velha, como a antiga e primeira capital é comummente designada, foi dividida em duas capitanias, uma com sede na Ribeira Grande, e outra com em Alcatrasazes, que viria a ser extinta logo em 1505, mas onde existia uma igreja, cujas ruínas ainda subsistiam no princípio do século XX. (. . .)
Uma das vistas mais importantes que conhecemos, e que nos mostra como era a Cidade Velha no tempo do seu maior esplendor, data de 1635, e é um desenho colorido executado Joannes van Keulen, hoje guardado no Arquivo Histórico Ultramarino. A cidade já tinha três bairros: o de São Sebastião, o de São Brás e o de São Pedro, e duas ruas pelo meio deles. Quanto às ruas, eram a de São Pedro, que ia até ao porto, além das da Carreira e da Banana, onde ficavam as casas dos populares.
O núcleo urbano estruturava-se em função de três eixos principais, todos fruto da forma do próprio terreno; o do porto, o da ribeira e o da achada.
A principal fortificação da Ilha de Santiago é a fortaleza Real de São Filipe, a cidadela, dominante à Ribeira Grande. Foi Diego Florez Valdez quem a mandou fazer ao engenheiro que levava consigo o levantamento da fortificação existente e o projecto de nova fortaleza. Em 1638 o estado da fortaleza de São Filipe era de total abandono e ineficiência dos dispositivos defensivos. É uma construção canónica, abaluartada, com grandes cortinas a unir fortes baluartes poligonais, tudo conformado com o terreno que é irregular.
Relativamente à arquitectura religiosa, é na cidade Velha que se conserva o espólio mais importante.
Em 1592 D. Filipe II pediu ao bispo de Cabo Verde informações sobre o local onde se construía a Sé Catedral, que já tinha sido começada pelo prelado anterior, dado que tinha ouvido dizer que não só era grande como também ficava muito afastada, e porque, dada a sua situação, desembarcando corsários na ilha, como já acontecera, a poderiam usar para se fortificarem e atacar a cidade. Em 1626 decorriam obras e o rei mandava que a partir desse ano fosse o bispo a superintender nelas.
Com o que resta da Sé Catedral e juntando algumas fotografias e vistas mais antigas, ficamos com a certeza de que se tratava de um edifício de enorme volume, planeado por um arquitecto hábil, mas que teve o inconveniente de estar longe do Reino.
Tinha duas fortes torres a cingir a fachada, de bom traçado clássico, com portais de desenho clássico, que por certo foram enviados já aparelhados de Lisboa. Todos os elementos de sustentação seguem a ordem toscana simplificada, afinal o estilo de todas as sés joaninas, quer do Continente quer das de além-mar. A cabeceira é tríplice, com uma capela-mor de enormes dimensões serliana. Como sede de Diocese que foi, a Ribeira Grande teve um paço episcopal, de que há vestígios e testemunhos fotográficos das suas ruínas. Demorou muitos anos a ser construído, e em 1589 o rei teve de dar 100.000 reais para sua reparação.
A igreja da Cidade Velha que se conserva em melhor estado é Nossa Senhora do Rosário, construída em duas fases, uma quando ainda vigoravam os modelos tardo-góticos, e outra da segunda metade do século XVI. É muito simples, com planta rectangular, uma única nave, capela-mor e capelas laterais. A frontaria está marcada por um belo portal clássico de cantaria aparelhada. No interior destaca-se uma capela lateral com arco de entrada ogival, chanfrado de claro recorte tardo-gótico e a abóbada de nervuras ornamentada com chaves com as Armas Régias, a Esfera Armilar e a Cruz de Cristo.
Na Cidade Velha ainda está erguido o pelourinho manuelino, enviado de Lisboa, e esculpido em liós..Tem a base com degraus, um plinto octogonal e o fuste helicoidal, com a pinha formada por um capitel com decoração geométrica e fitomórfica, terminado com segmento de pináculo.

Pedro Dias
Professor Catedrático de História da Arte da Universidade de Coimbra

PRÉMIO SECIL 2008- NUNO BRANDÃO


O arquitecto Nuno Brandão Costa, é o vencedor do Prémio Secil Arquitectura 2008 com o edifício administrativo e de mostra “Móveis Viriato”, na Rebordosa, Porto.
Com esta escolha o Júri pretende fazer sobressair dois aspectos importantes para a prática profissional contemporânea: a disciplinar, cumprida pelo rigor construtivo e de desenho da obra em causa; a social e pública, por abordar um programa comercial nem sempre entregue a arquitectos.
O edifício está inserido numa paisagem industrial e menos qualificada, mas demonstra a capacidade da arquitectura transformar a envolvente, um dos seus princípios fundadores.
Nuno Brandão Costa nasceu em 17 de Fevereiro de 1970, no Porto. Ingressou no Curso de Arquitectura no ano lectivo de 1988/89, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) tendo concluído em Julho de 1994.
Realizou um estágio curricular no âmbito da licenciatura, entre 1992 e 1993, como colaborador no gabinete “Herzog & de Meuron, archiktekten”, em Basileia na Suiça.
Recebeu, entre outros, o Prémio revelação e mérito “Jornal Expresso / SIC – 12 anos”, em Novembro de 2004 e foi Finalista Prémios Jornal Construir 2007, em Junho de 2008.
Entre os vários trabalhos como autor distinguem-se os projectos para a Câmara Municipal de Matosinhos, Câmara Municipal de Caminha, Reitoria da Universidade do Porto e Câmara Municipal de Vendas Novas.

terça-feira, 10 de março de 2009

A MARAVILHA PORTUGUESA EM ANGOLA

Convento do Carmo de Luanda

Uma das Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo em Concurso para a eleição de 7

"A presença dos portugueses na região que constitui actualmente Angola está atestada desde o tempo do reinado de D. João II, durante as viagens exploratórias de Diogo Cão ao então mais importante Reino do Congo. Apenas durante o tempo de D. Manuel I, o N’gola ganhou o seu verdadeiro lugar como potência regional para a diplomacia Portuguesa, e a corte de Lisboa entendeu o enorme potencial daquela terra. (. . .)
A cidade de São Paulo de Luanda nasceu assim no morro que tem este nome, onde se construiu a principal fortaleza, o Palácio do Governo, a Misericórdia e o Colégio da Companhia de Jesus. Com o desenvolvimento do porto, sobretudo por ser um ponto de escala para o Brasil, cresceu a cidade nova, que obrigou à criação da paróquia do Corpo Santo, com sede nessa capela, que era mantida pelos homens do mar. Durante o século XVII a cidade conheceu um desenvolvimento assinalável.(. . .)
Sabemos hoje que a igreja de Nossa Senhora do Carmo foi construída entre 1660 e 1689. (. . .)
Desapareceu uma parte muito significativa das instalações conventuais, não sendo possível ver agora mais do que a igreja, o claustro e dependências envolventes mais próximas. Ainda assim este é o conjunto de arquitectura religiosa mais importante de Angola, não só pela qualidade da estrutura, mas também pelo recheio que conserva.(. . .)
A igreja é muito simples, com um plano de nave única e capela-mor quadrangular e funda, mas nem por isso deixa de ter um excelente traçado, idêntico ao de várias casas desta ordem existentes no Reino. A fachada é lisa, com a empena triangular, e possui um grande portal ligado a um nicho onde foi colocada uma imagem de Nossa Senhora. No interior, coberto pelas abóbadas de meio canhão do corpo e a da cabeceira, com uma excepcional pintura plenamente barroco, destacam-se o conjunto de azulejos lisboetas do século XVIII, o retábulo da capela-mor, da mesma época e estilo. (. . .)
Do lado direito da igreja conventual foi construído o claustro, que possui dois andares, aberto para a quadra central por arcadas contínuas da ordem toscana muito simplificada. É de um tipo despojado, mas com bom lançamento, sendo o centro da vida comunitária, comunicando-se através dele com os dormitórios, sala capitular, capelas secundárias e outras dependências utilitárias. A cerca do convento carmelita luandense desapareceu depois da extinção das ordens religiosas, no século XIX, vindo também abaixo várias construções que estavam anexas.

Pedro Dias
Professor Catedrático de História da Arte da Universidade de Coimbra

link

P.R.O.T. ALENTEJO

(Alqueva)

Encontra-se em fase de discussão pública, até 7 de Maio de 2009, o Plano Regional de Ordenamento do Território do Alentejo.

"Compete aos PROT definir a estratégia regional de desenvolvimento territorial, integrando as opções estabelecidas ao nível nacional e considerando as estratégias municipais de desenvolvimento local, constituindo, neste âmbito, o quadro de referência para a elaboração dos planos municipais de ordenamento do território."

segunda-feira, 9 de março de 2009

O NOVO NORTE


A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), aprovou um pacote de investimentos de regeneração urbana de vilas e cidades do Norte de Portugal. Este pacote de investimentos representa a maior operação conjunta de sempre na regeneração de centros urbanos de pequena e média dimensão, correspondendo ainda à prioridade recentemente atribuída pela CCDR-N ao investimento público de proximidade, de efeito imediato. A CCDR-N espera mobilizar até ao final deste ano 200 milhões de euros para intervenções, quer a nível dos espaços públicos, quer nas infra-estruturas e equipamentos. A iniciativa já é chamada de "minipolis para o Interior" pois 83 milhões de euros destinam-se a núcleos urbanos de aglomerados com menos de oito mil habitantes. Estas medidas visam a revitalização socio-económica e a fixação de população no interior contrariando a tendência nacional de deslocação para o litoral.

sexta-feira, 6 de março de 2009

UM LIVRO BRILHANTE


Estamos no meio de uma crise económica e dão-se alvíssaras a quem tiver soluções. A teoria económica está a sentir uma incapacidade evidente em lidar com as novas dinâmicas e sente-se que as respostas não podem vir da ortodoxia que tem vingado nas últimas décadas.
"Animal Spirits: how human psychology drives the economy and why it matters for global capitalism" de G. Akerlof e R. Shiller é um livro brilhante e um contributo para a resolução da crise.
O ponto central é o animal spirits de Keynes, a punção humana de sobrereagir às situações, ie, muito optimistas em fases positivas e muito pessimistas em fases negativas. Este animal spirits está na base, segundo os autores, dos ciclos económicos. O livro fornece, assim, coordenadas para a saída da crise.
Animal Spirits: how human psychology drives the economy and why it matters for global capitalism de G. Akerlof e R. Shiller – Princeton University Press. Pode ser adquirido através da livraria Citação.

terça-feira, 3 de março de 2009

2009- ANO CHINÊS DO BOI

O capitalismo é assim :
CAPITALISMO IDEAL- Você tem duas vacas. Vende uma e compra um boi. Eles multiplicam-se, e a economia cresce. Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico!
CAPITALISMO AMERICANO- Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO JAPONÊS- Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO- Você tem duas vacas. As duas são loucas.
CAPITALISMO HOLANDÊS- Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO- Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO- Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.
CAPITALISMO SUÍÇO- Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar as vacas dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL- Você tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO BRASILEIRO- Você tem duas vacas. E reclama porque o rebanho não cresce...
CAPITALISMO HINDU- Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS- Você tem duas vacas. Foram compradas através do Fundo Social Europeu. O governo cria O IVVA - Imposto de Valor Vacuum Acrescentado. Você vende uma vaca para pagar o imposto. Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas. Para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho...

BERLIM


segunda-feira, 2 de março de 2009

EUROPEANA - URRA!

Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois milhões de obras A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia. Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa de 1784. Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço, a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ÁLVARO SIZA VIEIRA

(foto oficial)

Álvaro Siza Vieira recebeu ontem em Londres a 'Royal Gold Medal for Architecture 2009', atribuída pelo Royal Institute of British Architects.
"Arquitectura magistral" foi a expressão usada pelo júri para justificar a entregado prémio ao arquitecto português.
Siza Vieira obteve a consagração internacional em 1992 quando recebeu o Prémio 'Pritzker' considerado o Nobel da Arquitectura. Em 1998 recebeu a Medalha 'Alvar Aalto', do nome do prestigiado arquitecto finlandês, e em 2001 o 'Wolf Prize in Arts', conta ainda com três prémios Secil (1996, 2000 e 2006).
As obras mais destacadas de Álvaro Siza incluem as famosas Piscinas de Leça da Palmeira, a Casa de Chá da Boa Nova e a Igreja de Santa Maria em Marco de Canavezes, o Pavilhão de Portugal da Expo 98, o Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela, Espanha, a nova sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, Brasil e a Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Lleida, na Catalunha, Espanha.

MICROGERAÇÃO

A poupança e utilização de energias não poluentes começam a estar na primeira linha das preocupações de cidadãos e dirigentes, tendo o governo português aprovado à pouco um conjunto de medidas excepcionais de contratação pública aplicáveis à aquisição de bens e serviços entre os quais a Energias renováveis, eficiência energética e redes de transporte de energia. No próximo dia 2 de Março irá realizar-se um wokshop com o título “MICROGERAÇÃO”, com o objectivo de divulgar boas práticas e apresentar soluções técnicas e financeiras destinadas à utilização de fontes de energia alternativas, a utilizar por empresas, municípios e familias.
NERA – Loteamento Industrial de Loulé – 2 de Março – 14h.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

PARA LER E CHORAR POR MAIS

Bom dia Almeida:
Em primeiro lugar fico grato pela consideração
manifestada pelo blogue do Atelier Pedroso.
Não sendo um blogue de intervenção (quer local, quer regional),
ficamos satisfeitos por saber que os nossos posts
de alguma maneira podem ser interessantes e/ou úteis.
Quanto aos recomendados, para além do teu que frequento e cumprimento pela seriedade http://ssebastiao.wordpress.com/, aqui vão:

- sobre futebol, o incontornável e provavelmente melhor blogue
do
país sobre esta matéria:http://antonioboronha.blogspot.com/
- sobre escrita solta ( ainda que ande um pouco parado ): http://xarouco.blogspot.com/
- de um humor corrosivo mas sem dúvida apetecível para irmos sabendo "novas" do burgo:http://www.quiosquedacamila.blogspot.com/
- sobre história antiga do algarve e de leitura muito interessante: http://arkeotavira.com/
- p'rós lados de Faro a preferência vai para:http://adefesadefaro.blogspot.com/
- imperdível pelo humor:http://naocompreendoasmulheres.blogspot.com/
De momento, esta é a selecção, sem menosprezo por outros que de momento não me ocorrem ou que já foram recomendados.
Grande abraço

João Pedroso

As regras deste selo, que são:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!

2- Poste o link do blog que te indicou.

3- Indique 10 blogs de sua preferência.

4- Avise seus indicados.

5- Publique as regras.

6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com,

Juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação.
Caso os blogs tenham publicado o selo e as regras correctamente,

dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B …!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

TURISMO EM TEMPO DE CRISE


O turismo é essencial a Portugal, entre outras coisas, porque, esfalfadas as remessas dos emigrantes, constitui uma fonte de captação de receitas externas, ie, de exportação.
De acordo com a DG Turismo a balança de turismo foi 4303 m€ em 2008 (Jan a Nov).
As receitas foram 7031 e as despesas 2727 m€. Muito positivo, portanto.
O que vai acontecer nos próximos tempos? É isso que interessa.
De acordo com o Barómetro Mundial do Turismo da OMT (Jan.09)

(…)
- Em consequência, e prevendo-se que o cenário de crise económica se prolongue para 2009, a OMT perspectiva para o turismo internacional, em 2009, uma estagnação (0%) ou mesmo um ligeiro declínio (-1% a -2%).
Como estas são antecipações gerais dão-nos apenas uma imagem geral. Não nos dizem o que vai acontecer ao turismo na Europa, nem em Portugal, nem no Algarve. E, por outro lado, nas actuais condições de instabilidade é natural que as previsões ainda sejam menos úteis e que sejam agravadas por uma necessidade – politicamente correcta – de puxar para o optimismo.
É de antecipar uma contracção do turismo em Portugal nos próximos anos. Como vemos pelo gráfico, a crise de 2001 levou à queda prolongada das dormidas na hotelaria até 2004, o ano do Euro. Depois houve uma recuperação deste indicador até 2007. Em 2008, a tendência foi já de queda.

TURISMO: DORMIDAS NA HOTELARIA (e média móvel de 12 meses)
milhares
A crise global é o factor que temos mais à mão para antever esta quebra. E chega para poder arrastar o sector por uma fase complicada, porque quando é preciso fazer cortes as despesas de turismo estão na parte de cima da lista.
A somar à crise há também a taxa de câmbio. Se o euro se apreciar a capacidade de atracção relativa da Zona Euro será afectada e vice-versa.
Mas nem tudo será mau. Por um lado, o petróleo parece que não vai levantar a cabeça tão cedo e isso permite que as viagens não aumentem de preço, favorecendo o turismo. Ou seja, a própria crise gera mecanismos de compensação via redução da inflação que permitem que os rendimentos não sofram uma erosão inflacionista tão grande. Por outro lado, haverá sempre um efeito de substituição, ie, destinos mais afastados e mais caros podem ser substituídos por destinos mais próximos e mais baratos e isso favorece alternativas turísticas europeias. Por fim, há um esforço da generalidade dos governos para não deixar cair a actividade económica, para não destruir o tecido produtivo. A forma mais imediata de olhar para isto é esperar benesses do Allgarve mas também pode ser por outra via: os governos europeus - por exemplo o espanhol que vê a economia em muito maus lençóis e ainda tem dinheiro no bolso – podem ser levados a suportar mais o turismo social, o que não seria má ideia para os nossos hotéis, em especial, na época baixa.
Uma parte do futuro próximo liga-se com a capacidade de resposta do sector a aspectos específicos como mercados de origem e/ou segmentos menos afectados, capacidade de comprimir margens, etc. Mas isso deixo para quem percebe.
Luis Rosa

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

ARCO 2009

(Pedro Calapez)

A Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid está aberta até 16 de Fevereiro.
Esta edição da ARCO tem como país convidado a Índia contando com a presença de diversas galerias e artistas da arte contemporânea hindu.
9 galerias portuguesas estão presentes na feira entre as quase 250 de 31 países.


MINA DO SAL

UM CASO ÚNICO
A Mina de Sal Gema de Loulé, situada na Campina de Cima, é uma das únicas da Península Ibérica, tendo surgido aquando da mutação geológica que resultou na separação entre a Europa e África, que criou o Mar Mediterrânico, há 250 milhões de anos, ainda antes da era Jurássica.
Após a sua descoberta há cerca de 50 anos, foram sendo escavadas galerias a poder de dinamite, picaretas, martelos pneumáticos e posteriormente com uma máquina de perfuração a que chamavam “roçadora”, a uma profundidade de 230 a 260 metros, abaixo do nível do mar. Dos cerca de 40 km de túneis era retirado o sal-gema de grande pureza (teor superior a 90%) que não serve para utilização na alimentação humana mas muito procurado em várias áreas industriais.
Sendo o maior espaço subterrâneo visitável em Portugal torna-se agora um atractivo turístico, tendo sido apresentado há pouco tempo um projecto (Sal da Terra) que assenta em três vertentes fundamentais: uma área para serviços de “storage”, isto é para armazenagem documental, um Parque Temático/Museu do Sal e a criação de um hotel com quartos e SPA.
A armazenagem documental- Surge dadas as condições naturais da mina para a preservação de documentos a longo prazo devido ao clima interior ser seco e fresco, com temperaturas amenas, pelas extensas áreas disponíveis e por ser um local protegido contra roubos e desastres naturais como sismos ou inundações.
Museu e Centro de Interpretação e Divulgação do Património Geológico e Mineiro- Contendo três espaços distintos: um museu com a exposição das máquinas e equipamentos utilizados ao longo do tempo nesta mina, um espaço de projecção de audiovisuais sobre a história do sal e uma área educativa e lúdica.
O Hotel/S.P.A.- Será um hotel temático, um pouco na linha do Hotel do Gelo, na Suécia, alicerçado na própria estrutura da mina. O SPA e um centro de terapia e bem-estar têm em vista tirar partido das condições naturais dos benefícios do sal para a saúde, nomeadamente para as doenças respiratórias. O projecto prevê ainda salas de conferências, espaços para exposições, concertos de música, cinema ou teatro.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ESQUIÇO

Álvaro Siza Vieira - desenho


Há muito tempo atrás um atelier de arquitectura possuía um conjunto de objectos, materiais e peças de mobiliário que o dotavam de uma ambiência particular. Fazia ainda parte desta ambiência o modo como as pessoas se apropriavam do espaço, o modo de partilhar o conhecimento e a informação, as sensações e emoções associadas ao acto criativo.
No estirador, alto, de madeira, passávamos horas intermináveis, massacrando os lombares até ao limite.
Com os instrumentos havia uma relação muito física, táctil, cuidando sempre da posição em que se encontravam ou mais propriamente, cuidando sempre de os colocar na posição correctamente equilibrada para suporte do traço.
O esquadro e o compasso bastavam para desencadear uma pluralidade de imagens que a imaginação arduamente tinha de descodificar até encontrar aquele momento onde tudo se compunha sob a calma da harmonia da composição.
A lapiseira ( Caran D’ Ache de preferência ) constituía o veículo subtil que ligava o pensamento ao traço que, umas vezes fácil, outras árduo, ia enchendo o papel de esquiço com linhas e mais linhas, algumas eliminadas pela borracha branca ( Rotring ) sempre à mão.
Pensamento, composição, traço, esquiço…arduamente até ao desenho final.
Bons tempos …