terça-feira, 31 de março de 2009

ILHA DE FARO

No dia 2 de Abril vão ser entregues os prémios do Concurso de Ideias para a Requalificação e Ordenamento da Frente de Mar da Praia de Faro. O arquitecto Nuno Brandão Costa foi o primeiro classificado, tendo os 2º e 3º lugares sido atribuídos aos arquitectos Nuno Carrôlo e Francisco Freitas respectivamente. No mesmo dia será inaugurada a exposição com os trabalhos dos concorrentes no Atrium Faro (na Rua de Santo António).
Na análise dos trabalhos o Júri teve em consideração a observância dos seguintes factores:
- Adequabilidade ao Programa Preliminar, tendo em conta os objectivos do concurso;
- Integração nos espaços envolventes;
- Preservação dos valores naturais da paisagem;
- Inovação;
- Valorização dos espaços públicos urbanos;
- Flexibilidade, em termos de adaptação da solução proposta a uma execução faseada;
- Complementaridade do conjunto das ideias face às intenções dos objectivos do Concurso;
- Exequibilidade do conjunto das ideias.

A fase seguinte será o início das obras, mesmo que feitas por fases, são urgentes para dignificar a Praia de Faro.

sexta-feira, 27 de março de 2009

PORTUGAL FORA DE PORTUGAL


A exposição "Arquitectura: Portugal fora de Portugal", está aberta ao público até 9 de Abril na galeria AEDES-Pfefferberg, em Berlim. É uma mostra de 21 projectos de arquitectos portugueses realizados no estrangeiro, em países tão diversos quanto a República Popular da China, a Coreia do Sul, Timor-Leste, Angola, Cabo Verde, Brasil, bem como na Europa.
A exposição resultou de um convite da Presidência da República dirigido à Ordem dos Arquitectos (OA) para a organizar, divulgando por terras germânicas as qualidades dos arquitectos lusos.

quinta-feira, 26 de março de 2009

LUTO

Em memória de A. R..


sábado, 21 de março de 2009

21 DE MARÇO- DIA MUNDIAL DA ÁRVORE

(...) " Impressionante o cheiro de terra que comprimia o seu corpo de semente. No começo, quando o vento a lançara sobre o solo, tinha algum movimento, mas depois o mesmo vento, como se cumprisse uma missão, viera rodopiando, até a cobrir de areia. Aos poucos foi conseguindo respirar, até se acostumar com aquele aprisionamento. Alguma coisa garantia não durar muito... Uma angústia enorme invadia toda a insignificância do seu ser, porque a terra, sempre escura, não contava nada do que se passava do lado de fora. Verdade era que tinha saudade do Sol e dos cantos dos pássaros; entretanto, acalmava-se e tentava compreender que aquele mistério fazia parte necessariamente da sua transformação.
E os dias iam passando, compridos e iguais, aumentando cada vez mais as horas de calor. Às vezes, vermes escorregadios tocavam no seu corpo nervoso e isso fazia com que desejasse voltar ao mundo antigo.
Não podia falar porque a terra quente, abafando tudo, transformava suas palavras em silêncio. Pensou em outras sementes aprisionadas, sofrendo também a mesma angústia da humilde espera.
Até que um dia, uma absoluta calma substitui seus pequenos frêmitos e uma espécie de sono paralisou-a; só foi despertada por um grande ruído. A terra estremecia de medo porque a natureza trovejava. Sentiu o baque da chuva sobre o solo e o cheiro gostoso do chão que estava sendo molhado. Depois... as gotas de chuva introduzindo-se, infiltrando-se, até ao âmago da terra... Vinham cansadas da longa viagem feita do céu através do espaço zangado...
A alma da sementinha despertou porque as gotas se aproximavam cada vez mais. Até que seu dorso foi arrepiado pela frialdade do líquido e uma voz clara falou:
- Ei, menininha! Agora você pode libertar-se; agora você pode perfurar a terra e alcançar a liberdade.(...)

(...) Levantou os braços os braços para restabelecer-se. Nesse momento diversas gargalhadas estouraram.
Encolheu-se rapidamente e levantou a vista para uma porção de grandes árvores. Parece que os seus olhos assustados produziram forte efeito sobre as velhas plantas.
- Olhe- exclamou um pé de simbaíba. - A pobrezinha está tremento de medo.
O velho jatobá agitou levemente a sua grande copa.
-Foi a primeira a nascer. E como é frágil e verdinha!
A palmeira-de-tucum esticou seus dedos finos de espinhos e murmurou com ênfase:
- Pelo jeito será um pé de imburana!
- Engana-se, minha cara. Para o futuro vai transformar-se num belíssimo pé de canjirana-branca – tornou a falar o velho jatobá.
Seus olhos, então, foram percorrendo mais calmamente as árvores grandes e copadas. E como eram lindas! As folhas brilhavam à luz, apresentando um verde claro e sadio. Bem que Dona Chuva dissera que acharia avida exuberante e bela ".

in "Rosinha Minha Canoa" de José Mauro de Vasconcelos

"AS PESSOAS SOMOS NÓS"

Exposição de fotografias de Diana Rosa.
Espaço EMMY, Rua Rovisco Pais (junto ao Instituto Superior Técnico), Lisboa.

sexta-feira, 20 de março de 2009

PERDOAI-LHES SENHORES

Parece anedota, mas não, é mesmo verdade.
É mais um "descuido" do Diário da República.

quinta-feira, 19 de março de 2009

REABILITAR É PRECISO

foto A.P.
No âmbito do Plano Estratégico de Habitação, o Governo vai apoiar a reabilitação das 10.000 casas do parque habitacional das autarquias até 2013. O total dos investimentos será de 120 milhões de euros, sendo 55 milhões de euros para recuperar, até 2011, as casas propriedade do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU). A reabilitação estará dividida em três vertentes: reabilitação do parque público, dos devolutos e reabilitação urbana.
Quanto aos devolutos, além dos apoios públicos excepcionais já previstos no Orçamento de Estado para este ano, será criado o programa Proreabilita, que irá fundir todos os actualmente em vigor; vai ter ainda uma componente de apoio à reabilitação para arrendamento, desde que os fogos se situem em Áreas de Reabilitação Urbana (ARU).

PARQUES DE DIVERSÃO


Segundo um comunicado do Conselho de Ministros o D.Lei 379/97 que regulamenta as condições de instalação dos Espaços de Jogo e Recreio ( parques infantis, skate parques, insufláveis, etc.) vai ser alterado.
As alterações têm como objectivo reforçar as condições de segurança dos recintos, diminuindo o número de acidentes que todos os anos ocorrem. Passam a existir vedações a delimitar estes espaços e as área junto dos baloiços, vigilantes e informações sobre as condições de utilização dos equipamentos.
Aguarda-se a publicação do texto final.

quinta-feira, 12 de março de 2009

SANTO OFÍCIO -1


Este ofício é um parecer da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) sobre um projecto de segurança contra incêndios de uma loja.
Pela 2ª vez é entregue a resposta a este mesmo parecer na Câmara Municipal, em Junho; a data de recepção pela ANPC é de Dezembro (6 meses depois) dando esta entidade resposta em Março (3 meses). Nove meses a "pastar".
O parecer diz:
Os elementos apresentados continuam a não permitir a verificação do cumprimento da legislação aplicável, dado que não incluem memória descritiva e justificativa caracterizando todas as medidas e meios de segurança contra incêndio preconizados."
Isto não é um parecer, nem um pedido de esclarecimento sobre algum ponto em falta: isto apenas diz “eu acho que falta qualquer coisa mas não escrevo o quê”.
A memória descritiva continha informação detalhada sobre os seguintes items:
-Caracterização do edifício
-Caracterização da loja
-Resistência dos elementos construtivos
-Caminhos de evacuação
-Sinalização dos caminhos de evacuação
-Cálculo do efectivo
-Ventilação
-Sistemas de prevenção e de alerta
-Meios de intervenção
-Sistema Automático de Detecção de Incêndios
-Organização de segurança.
Se falta algum “parafuso”, o técnico que dá o parecer tem o dever de dizer qual. Os pareceres são dados não com base em “eu acho que... ” mas especificando os pontos em falta exigidos na regulamentação em vigor.
Apesar do novo regime jurídico sobre segurança contra incêndios vir agilizar os procedimentos relativos aos projectos, o SIMPLEX demora a chegar a determinadas repartições públicas cujas instalações, bafientas, não cumprem uma única regra de segurança contra riscos de incêndio. Exige-se ao privado aquilo que o sector público não pratica.
Não há SIMPLEX que resista.

A MARAVILHA PORTUGUESA EM CABO VERDE

Cidade Velha de Santiago

Uma das Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo em Concurso para a eleição de 7

Não se sabe ainda ao certo quem foram os primeiros nautas a chegar a Cabo Verde.
Ou o veneziano Cadamosto, que estava ao serviço de Portugal, em 1456, ou então Diogo Gomes e António de Noli, em 1460 ou 1461.
Após o descobrimento, a Ilha de Santiago, onde fica a Cidade Velha, como a antiga e primeira capital é comummente designada, foi dividida em duas capitanias, uma com sede na Ribeira Grande, e outra com em Alcatrasazes, que viria a ser extinta logo em 1505, mas onde existia uma igreja, cujas ruínas ainda subsistiam no princípio do século XX. (. . .)
Uma das vistas mais importantes que conhecemos, e que nos mostra como era a Cidade Velha no tempo do seu maior esplendor, data de 1635, e é um desenho colorido executado Joannes van Keulen, hoje guardado no Arquivo Histórico Ultramarino. A cidade já tinha três bairros: o de São Sebastião, o de São Brás e o de São Pedro, e duas ruas pelo meio deles. Quanto às ruas, eram a de São Pedro, que ia até ao porto, além das da Carreira e da Banana, onde ficavam as casas dos populares.
O núcleo urbano estruturava-se em função de três eixos principais, todos fruto da forma do próprio terreno; o do porto, o da ribeira e o da achada.
A principal fortificação da Ilha de Santiago é a fortaleza Real de São Filipe, a cidadela, dominante à Ribeira Grande. Foi Diego Florez Valdez quem a mandou fazer ao engenheiro que levava consigo o levantamento da fortificação existente e o projecto de nova fortaleza. Em 1638 o estado da fortaleza de São Filipe era de total abandono e ineficiência dos dispositivos defensivos. É uma construção canónica, abaluartada, com grandes cortinas a unir fortes baluartes poligonais, tudo conformado com o terreno que é irregular.
Relativamente à arquitectura religiosa, é na cidade Velha que se conserva o espólio mais importante.
Em 1592 D. Filipe II pediu ao bispo de Cabo Verde informações sobre o local onde se construía a Sé Catedral, que já tinha sido começada pelo prelado anterior, dado que tinha ouvido dizer que não só era grande como também ficava muito afastada, e porque, dada a sua situação, desembarcando corsários na ilha, como já acontecera, a poderiam usar para se fortificarem e atacar a cidade. Em 1626 decorriam obras e o rei mandava que a partir desse ano fosse o bispo a superintender nelas.
Com o que resta da Sé Catedral e juntando algumas fotografias e vistas mais antigas, ficamos com a certeza de que se tratava de um edifício de enorme volume, planeado por um arquitecto hábil, mas que teve o inconveniente de estar longe do Reino.
Tinha duas fortes torres a cingir a fachada, de bom traçado clássico, com portais de desenho clássico, que por certo foram enviados já aparelhados de Lisboa. Todos os elementos de sustentação seguem a ordem toscana simplificada, afinal o estilo de todas as sés joaninas, quer do Continente quer das de além-mar. A cabeceira é tríplice, com uma capela-mor de enormes dimensões serliana. Como sede de Diocese que foi, a Ribeira Grande teve um paço episcopal, de que há vestígios e testemunhos fotográficos das suas ruínas. Demorou muitos anos a ser construído, e em 1589 o rei teve de dar 100.000 reais para sua reparação.
A igreja da Cidade Velha que se conserva em melhor estado é Nossa Senhora do Rosário, construída em duas fases, uma quando ainda vigoravam os modelos tardo-góticos, e outra da segunda metade do século XVI. É muito simples, com planta rectangular, uma única nave, capela-mor e capelas laterais. A frontaria está marcada por um belo portal clássico de cantaria aparelhada. No interior destaca-se uma capela lateral com arco de entrada ogival, chanfrado de claro recorte tardo-gótico e a abóbada de nervuras ornamentada com chaves com as Armas Régias, a Esfera Armilar e a Cruz de Cristo.
Na Cidade Velha ainda está erguido o pelourinho manuelino, enviado de Lisboa, e esculpido em liós..Tem a base com degraus, um plinto octogonal e o fuste helicoidal, com a pinha formada por um capitel com decoração geométrica e fitomórfica, terminado com segmento de pináculo.

Pedro Dias
Professor Catedrático de História da Arte da Universidade de Coimbra

PRÉMIO SECIL 2008- NUNO BRANDÃO


O arquitecto Nuno Brandão Costa, é o vencedor do Prémio Secil Arquitectura 2008 com o edifício administrativo e de mostra “Móveis Viriato”, na Rebordosa, Porto.
Com esta escolha o Júri pretende fazer sobressair dois aspectos importantes para a prática profissional contemporânea: a disciplinar, cumprida pelo rigor construtivo e de desenho da obra em causa; a social e pública, por abordar um programa comercial nem sempre entregue a arquitectos.
O edifício está inserido numa paisagem industrial e menos qualificada, mas demonstra a capacidade da arquitectura transformar a envolvente, um dos seus princípios fundadores.
Nuno Brandão Costa nasceu em 17 de Fevereiro de 1970, no Porto. Ingressou no Curso de Arquitectura no ano lectivo de 1988/89, na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) tendo concluído em Julho de 1994.
Realizou um estágio curricular no âmbito da licenciatura, entre 1992 e 1993, como colaborador no gabinete “Herzog & de Meuron, archiktekten”, em Basileia na Suiça.
Recebeu, entre outros, o Prémio revelação e mérito “Jornal Expresso / SIC – 12 anos”, em Novembro de 2004 e foi Finalista Prémios Jornal Construir 2007, em Junho de 2008.
Entre os vários trabalhos como autor distinguem-se os projectos para a Câmara Municipal de Matosinhos, Câmara Municipal de Caminha, Reitoria da Universidade do Porto e Câmara Municipal de Vendas Novas.

terça-feira, 10 de março de 2009

A MARAVILHA PORTUGUESA EM ANGOLA

Convento do Carmo de Luanda

Uma das Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo em Concurso para a eleição de 7

"A presença dos portugueses na região que constitui actualmente Angola está atestada desde o tempo do reinado de D. João II, durante as viagens exploratórias de Diogo Cão ao então mais importante Reino do Congo. Apenas durante o tempo de D. Manuel I, o N’gola ganhou o seu verdadeiro lugar como potência regional para a diplomacia Portuguesa, e a corte de Lisboa entendeu o enorme potencial daquela terra. (. . .)
A cidade de São Paulo de Luanda nasceu assim no morro que tem este nome, onde se construiu a principal fortaleza, o Palácio do Governo, a Misericórdia e o Colégio da Companhia de Jesus. Com o desenvolvimento do porto, sobretudo por ser um ponto de escala para o Brasil, cresceu a cidade nova, que obrigou à criação da paróquia do Corpo Santo, com sede nessa capela, que era mantida pelos homens do mar. Durante o século XVII a cidade conheceu um desenvolvimento assinalável.(. . .)
Sabemos hoje que a igreja de Nossa Senhora do Carmo foi construída entre 1660 e 1689. (. . .)
Desapareceu uma parte muito significativa das instalações conventuais, não sendo possível ver agora mais do que a igreja, o claustro e dependências envolventes mais próximas. Ainda assim este é o conjunto de arquitectura religiosa mais importante de Angola, não só pela qualidade da estrutura, mas também pelo recheio que conserva.(. . .)
A igreja é muito simples, com um plano de nave única e capela-mor quadrangular e funda, mas nem por isso deixa de ter um excelente traçado, idêntico ao de várias casas desta ordem existentes no Reino. A fachada é lisa, com a empena triangular, e possui um grande portal ligado a um nicho onde foi colocada uma imagem de Nossa Senhora. No interior, coberto pelas abóbadas de meio canhão do corpo e a da cabeceira, com uma excepcional pintura plenamente barroco, destacam-se o conjunto de azulejos lisboetas do século XVIII, o retábulo da capela-mor, da mesma época e estilo. (. . .)
Do lado direito da igreja conventual foi construído o claustro, que possui dois andares, aberto para a quadra central por arcadas contínuas da ordem toscana muito simplificada. É de um tipo despojado, mas com bom lançamento, sendo o centro da vida comunitária, comunicando-se através dele com os dormitórios, sala capitular, capelas secundárias e outras dependências utilitárias. A cerca do convento carmelita luandense desapareceu depois da extinção das ordens religiosas, no século XIX, vindo também abaixo várias construções que estavam anexas.

Pedro Dias
Professor Catedrático de História da Arte da Universidade de Coimbra

link

P.R.O.T. ALENTEJO

(Alqueva)

Encontra-se em fase de discussão pública, até 7 de Maio de 2009, o Plano Regional de Ordenamento do Território do Alentejo.

"Compete aos PROT definir a estratégia regional de desenvolvimento territorial, integrando as opções estabelecidas ao nível nacional e considerando as estratégias municipais de desenvolvimento local, constituindo, neste âmbito, o quadro de referência para a elaboração dos planos municipais de ordenamento do território."

segunda-feira, 9 de março de 2009

O NOVO NORTE


A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), aprovou um pacote de investimentos de regeneração urbana de vilas e cidades do Norte de Portugal. Este pacote de investimentos representa a maior operação conjunta de sempre na regeneração de centros urbanos de pequena e média dimensão, correspondendo ainda à prioridade recentemente atribuída pela CCDR-N ao investimento público de proximidade, de efeito imediato. A CCDR-N espera mobilizar até ao final deste ano 200 milhões de euros para intervenções, quer a nível dos espaços públicos, quer nas infra-estruturas e equipamentos. A iniciativa já é chamada de "minipolis para o Interior" pois 83 milhões de euros destinam-se a núcleos urbanos de aglomerados com menos de oito mil habitantes. Estas medidas visam a revitalização socio-económica e a fixação de população no interior contrariando a tendência nacional de deslocação para o litoral.

sexta-feira, 6 de março de 2009

UM LIVRO BRILHANTE


Estamos no meio de uma crise económica e dão-se alvíssaras a quem tiver soluções. A teoria económica está a sentir uma incapacidade evidente em lidar com as novas dinâmicas e sente-se que as respostas não podem vir da ortodoxia que tem vingado nas últimas décadas.
"Animal Spirits: how human psychology drives the economy and why it matters for global capitalism" de G. Akerlof e R. Shiller é um livro brilhante e um contributo para a resolução da crise.
O ponto central é o animal spirits de Keynes, a punção humana de sobrereagir às situações, ie, muito optimistas em fases positivas e muito pessimistas em fases negativas. Este animal spirits está na base, segundo os autores, dos ciclos económicos. O livro fornece, assim, coordenadas para a saída da crise.
Animal Spirits: how human psychology drives the economy and why it matters for global capitalism de G. Akerlof e R. Shiller – Princeton University Press. Pode ser adquirido através da livraria Citação.

terça-feira, 3 de março de 2009

2009- ANO CHINÊS DO BOI

O capitalismo é assim :
CAPITALISMO IDEAL- Você tem duas vacas. Vende uma e compra um boi. Eles multiplicam-se, e a economia cresce. Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico!
CAPITALISMO AMERICANO- Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO JAPONÊS- Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO- Você tem duas vacas. As duas são loucas.
CAPITALISMO HOLANDÊS- Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO- Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO- Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.
CAPITALISMO SUÍÇO- Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar as vacas dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL- Você tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO BRASILEIRO- Você tem duas vacas. E reclama porque o rebanho não cresce...
CAPITALISMO HINDU- Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS- Você tem duas vacas. Foram compradas através do Fundo Social Europeu. O governo cria O IVVA - Imposto de Valor Vacuum Acrescentado. Você vende uma vaca para pagar o imposto. Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas. Para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho...

BERLIM


segunda-feira, 2 de março de 2009

EUROPEANA - URRA!

Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois milhões de obras A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia. Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa de 1784. Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço, a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ÁLVARO SIZA VIEIRA

(foto oficial)

Álvaro Siza Vieira recebeu ontem em Londres a 'Royal Gold Medal for Architecture 2009', atribuída pelo Royal Institute of British Architects.
"Arquitectura magistral" foi a expressão usada pelo júri para justificar a entregado prémio ao arquitecto português.
Siza Vieira obteve a consagração internacional em 1992 quando recebeu o Prémio 'Pritzker' considerado o Nobel da Arquitectura. Em 1998 recebeu a Medalha 'Alvar Aalto', do nome do prestigiado arquitecto finlandês, e em 2001 o 'Wolf Prize in Arts', conta ainda com três prémios Secil (1996, 2000 e 2006).
As obras mais destacadas de Álvaro Siza incluem as famosas Piscinas de Leça da Palmeira, a Casa de Chá da Boa Nova e a Igreja de Santa Maria em Marco de Canavezes, o Pavilhão de Portugal da Expo 98, o Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela, Espanha, a nova sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, Brasil e a Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Lleida, na Catalunha, Espanha.

MICROGERAÇÃO

A poupança e utilização de energias não poluentes começam a estar na primeira linha das preocupações de cidadãos e dirigentes, tendo o governo português aprovado à pouco um conjunto de medidas excepcionais de contratação pública aplicáveis à aquisição de bens e serviços entre os quais a Energias renováveis, eficiência energética e redes de transporte de energia. No próximo dia 2 de Março irá realizar-se um wokshop com o título “MICROGERAÇÃO”, com o objectivo de divulgar boas práticas e apresentar soluções técnicas e financeiras destinadas à utilização de fontes de energia alternativas, a utilizar por empresas, municípios e familias.
NERA – Loteamento Industrial de Loulé – 2 de Março – 14h.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

PARA LER E CHORAR POR MAIS

Bom dia Almeida:
Em primeiro lugar fico grato pela consideração
manifestada pelo blogue do Atelier Pedroso.
Não sendo um blogue de intervenção (quer local, quer regional),
ficamos satisfeitos por saber que os nossos posts
de alguma maneira podem ser interessantes e/ou úteis.
Quanto aos recomendados, para além do teu que frequento e cumprimento pela seriedade http://ssebastiao.wordpress.com/, aqui vão:

- sobre futebol, o incontornável e provavelmente melhor blogue
do
país sobre esta matéria:http://antonioboronha.blogspot.com/
- sobre escrita solta ( ainda que ande um pouco parado ): http://xarouco.blogspot.com/
- de um humor corrosivo mas sem dúvida apetecível para irmos sabendo "novas" do burgo:http://www.quiosquedacamila.blogspot.com/
- sobre história antiga do algarve e de leitura muito interessante: http://arkeotavira.com/
- p'rós lados de Faro a preferência vai para:http://adefesadefaro.blogspot.com/
- imperdível pelo humor:http://naocompreendoasmulheres.blogspot.com/
De momento, esta é a selecção, sem menosprezo por outros que de momento não me ocorrem ou que já foram recomendados.
Grande abraço

João Pedroso

As regras deste selo, que são:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro” que você acabou de ganhar!

2- Poste o link do blog que te indicou.

3- Indique 10 blogs de sua preferência.

4- Avise seus indicados.

5- Publique as regras.

6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com,

Juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação.
Caso os blogs tenham publicado o selo e as regras correctamente,

dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B …!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

TURISMO EM TEMPO DE CRISE


O turismo é essencial a Portugal, entre outras coisas, porque, esfalfadas as remessas dos emigrantes, constitui uma fonte de captação de receitas externas, ie, de exportação.
De acordo com a DG Turismo a balança de turismo foi 4303 m€ em 2008 (Jan a Nov).
As receitas foram 7031 e as despesas 2727 m€. Muito positivo, portanto.
O que vai acontecer nos próximos tempos? É isso que interessa.
De acordo com o Barómetro Mundial do Turismo da OMT (Jan.09)

(…)
- Em consequência, e prevendo-se que o cenário de crise económica se prolongue para 2009, a OMT perspectiva para o turismo internacional, em 2009, uma estagnação (0%) ou mesmo um ligeiro declínio (-1% a -2%).
Como estas são antecipações gerais dão-nos apenas uma imagem geral. Não nos dizem o que vai acontecer ao turismo na Europa, nem em Portugal, nem no Algarve. E, por outro lado, nas actuais condições de instabilidade é natural que as previsões ainda sejam menos úteis e que sejam agravadas por uma necessidade – politicamente correcta – de puxar para o optimismo.
É de antecipar uma contracção do turismo em Portugal nos próximos anos. Como vemos pelo gráfico, a crise de 2001 levou à queda prolongada das dormidas na hotelaria até 2004, o ano do Euro. Depois houve uma recuperação deste indicador até 2007. Em 2008, a tendência foi já de queda.

TURISMO: DORMIDAS NA HOTELARIA (e média móvel de 12 meses)
milhares
A crise global é o factor que temos mais à mão para antever esta quebra. E chega para poder arrastar o sector por uma fase complicada, porque quando é preciso fazer cortes as despesas de turismo estão na parte de cima da lista.
A somar à crise há também a taxa de câmbio. Se o euro se apreciar a capacidade de atracção relativa da Zona Euro será afectada e vice-versa.
Mas nem tudo será mau. Por um lado, o petróleo parece que não vai levantar a cabeça tão cedo e isso permite que as viagens não aumentem de preço, favorecendo o turismo. Ou seja, a própria crise gera mecanismos de compensação via redução da inflação que permitem que os rendimentos não sofram uma erosão inflacionista tão grande. Por outro lado, haverá sempre um efeito de substituição, ie, destinos mais afastados e mais caros podem ser substituídos por destinos mais próximos e mais baratos e isso favorece alternativas turísticas europeias. Por fim, há um esforço da generalidade dos governos para não deixar cair a actividade económica, para não destruir o tecido produtivo. A forma mais imediata de olhar para isto é esperar benesses do Allgarve mas também pode ser por outra via: os governos europeus - por exemplo o espanhol que vê a economia em muito maus lençóis e ainda tem dinheiro no bolso – podem ser levados a suportar mais o turismo social, o que não seria má ideia para os nossos hotéis, em especial, na época baixa.
Uma parte do futuro próximo liga-se com a capacidade de resposta do sector a aspectos específicos como mercados de origem e/ou segmentos menos afectados, capacidade de comprimir margens, etc. Mas isso deixo para quem percebe.
Luis Rosa

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

ARCO 2009

(Pedro Calapez)

A Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid está aberta até 16 de Fevereiro.
Esta edição da ARCO tem como país convidado a Índia contando com a presença de diversas galerias e artistas da arte contemporânea hindu.
9 galerias portuguesas estão presentes na feira entre as quase 250 de 31 países.


MINA DO SAL

UM CASO ÚNICO
A Mina de Sal Gema de Loulé, situada na Campina de Cima, é uma das únicas da Península Ibérica, tendo surgido aquando da mutação geológica que resultou na separação entre a Europa e África, que criou o Mar Mediterrânico, há 250 milhões de anos, ainda antes da era Jurássica.
Após a sua descoberta há cerca de 50 anos, foram sendo escavadas galerias a poder de dinamite, picaretas, martelos pneumáticos e posteriormente com uma máquina de perfuração a que chamavam “roçadora”, a uma profundidade de 230 a 260 metros, abaixo do nível do mar. Dos cerca de 40 km de túneis era retirado o sal-gema de grande pureza (teor superior a 90%) que não serve para utilização na alimentação humana mas muito procurado em várias áreas industriais.
Sendo o maior espaço subterrâneo visitável em Portugal torna-se agora um atractivo turístico, tendo sido apresentado há pouco tempo um projecto (Sal da Terra) que assenta em três vertentes fundamentais: uma área para serviços de “storage”, isto é para armazenagem documental, um Parque Temático/Museu do Sal e a criação de um hotel com quartos e SPA.
A armazenagem documental- Surge dadas as condições naturais da mina para a preservação de documentos a longo prazo devido ao clima interior ser seco e fresco, com temperaturas amenas, pelas extensas áreas disponíveis e por ser um local protegido contra roubos e desastres naturais como sismos ou inundações.
Museu e Centro de Interpretação e Divulgação do Património Geológico e Mineiro- Contendo três espaços distintos: um museu com a exposição das máquinas e equipamentos utilizados ao longo do tempo nesta mina, um espaço de projecção de audiovisuais sobre a história do sal e uma área educativa e lúdica.
O Hotel/S.P.A.- Será um hotel temático, um pouco na linha do Hotel do Gelo, na Suécia, alicerçado na própria estrutura da mina. O SPA e um centro de terapia e bem-estar têm em vista tirar partido das condições naturais dos benefícios do sal para a saúde, nomeadamente para as doenças respiratórias. O projecto prevê ainda salas de conferências, espaços para exposições, concertos de música, cinema ou teatro.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ESQUIÇO

Álvaro Siza Vieira - desenho


Há muito tempo atrás um atelier de arquitectura possuía um conjunto de objectos, materiais e peças de mobiliário que o dotavam de uma ambiência particular. Fazia ainda parte desta ambiência o modo como as pessoas se apropriavam do espaço, o modo de partilhar o conhecimento e a informação, as sensações e emoções associadas ao acto criativo.
No estirador, alto, de madeira, passávamos horas intermináveis, massacrando os lombares até ao limite.
Com os instrumentos havia uma relação muito física, táctil, cuidando sempre da posição em que se encontravam ou mais propriamente, cuidando sempre de os colocar na posição correctamente equilibrada para suporte do traço.
O esquadro e o compasso bastavam para desencadear uma pluralidade de imagens que a imaginação arduamente tinha de descodificar até encontrar aquele momento onde tudo se compunha sob a calma da harmonia da composição.
A lapiseira ( Caran D’ Ache de preferência ) constituía o veículo subtil que ligava o pensamento ao traço que, umas vezes fácil, outras árduo, ia enchendo o papel de esquiço com linhas e mais linhas, algumas eliminadas pela borracha branca ( Rotring ) sempre à mão.
Pensamento, composição, traço, esquiço…arduamente até ao desenho final.
Bons tempos …

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ALTERAÇÃO DA R.A.N.

Foi aprovado em Conselho de Ministros o novo regime jurídico da Reserva Agrícola Nacional.
O regime agora aprovado introduz uma nova classificação das terras e dos solos, a da metodologia da Organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação.
Este Decreto-Lei visa aperfeiçoar os procedimentos de marcação da R.A.N., assente em cartografia digital como ferramenta de rigor. As novas delimitações serão feitas aquando da elaboração, alteração ou revisão dos Planos Municipais ou Especiais de ordenamento do território, sendo propostas pelos municípios e aprovadas pelas entidades competentes da Administração Central, ficando identificadas nas Plantas de Condicionantes.
Aguardamos a publicação do Decreto-Lei que vai revogar o D.L 196/89.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PLANO ESTRATÉGICO DA HABITAÇÃO- NOVAS ATRIBUIÇÕES E OPORTUNIDADES

A 18 de Março irá realizar-se no Centro Cultural de Belém, uma conferência subordinada ao tema "Plano Estratégico da Habitação - Novas atribuições e oportunidades". Esta conferência tem como objectivo, esclarecer e debater as mudanças e as oportunidades que este Plano trás, para as autarquias e para todas as empresas e agentes intervenientes no mercado da habitação em Portugal.

Alguns dos temas em debate são:
- Cidades humanizadas: planeamento e requalificação dos espaços habitacionais;
- O novo papel das autarquias e a importância das parcerias público/privadas;
- Oportunidades, interrogações e expectativas dos skateholders da cidade e da habitação;
- Parcerias público/privadas, instrumentos para a viabilização e execução;
- Programas locais de habitação, do plano à implementação;
- Reabilitar a habitação, habitar a cidade - Inovação na resposta às novas exigências habitacionais e urbanas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

CONTAS ELEITORAIS

Este ano vai haver eleições autárquicas e as estruturas de poder local entram em ebulição. Desde logo, é preciso escolher o cabeça de lista e os outros candidatos, depois preparar a campanha e cativar os eleitores. Tudo isto envolve, muito directamente, muita gente.
Parte do êxito eleitoral de uma recandidatura depende da obra dos últimos 4 anos. Mas também vale a pena ter uma ideia das dívidas contraídas. Porque com meios alheios é fácil dar nas vistas mas no futuro isso vai ser pago.
A dívida total de uma Câmara envolve a dívida bancária, a dívida obtida por titularização de activos e as dívidas a fornecedores/outras entidades.
Já há autarquias que optaram pela titularização. Por exemplo, a Câmara de Cascais tem dívida emitida que sofreu em Janeiro um downgrade – uma avaliação negativa – para Aa2. Parece útil que os eleitores de Cascais tenham esta informação para a integrarem no processo de decisão autárquica. A emissão de dívida, ao contrário do que se pode pensar, pode ser um factor positivo na avaliação da gestão financeira do executivo porque mostra que um município cumpre um conjunto de exigências. De outro modo não há emissão de dívida. Por exemplo, no caso de Cascais a avaliação feita no Relatório da Agência Moody’s é:
"Cascais has maintained solid controls over costs and managed
to repay its accumulated debt obligations to suppliers through
its high operating margins. Furthermore, investments are to a
large extent self-financed and liquidity reserves are more than
adequate,"
Em relação ao total da dívida, deve conhecer-se a sua dimensão absoluta e relativa (face a indicadores da autarquia), o destino dado aos fundos e a forma como são geridos.
Para a generalidade das Câmaras a dívida bancária é fundamental. Aparece reflectida nos empréstimos de outras instituições não monetárias à Administração Local, valores divulgados pelo Banco de Portugal (BP).
Podemos ver que esses empréstimos dependem entre outros factores do calendário eleitoral (gráf seguinte). A esta oscilação financeira dependente do calendário eleitoral chama-se ciclo político. A sua justificação é óbvia: tendo uma vantagem comparativa pelo facto de deterem o poder, os executivos camarários tendem a concentrar as obras/despesas no período antes das eleições para potenciarem o seu impacto eleitoral. É dos livros.

Nas eleições de Dezembro de 2001 este agregado acelerou desde Maio de 2000 de 15% para mais de 35%. Percebe-se que este foi um período em que os executivos estiveram à beirinha do paraíso. Nas eleições de Outubro de 2005 esse efeito não foi tão forte (de 7% acelerou para 9%) – aqui já as finanças nacionais não davam margem. Actualmente e apesar da crise o aumento pré-eleitoral já se nota desde 2008 (ver gráf. do período 2004-2008).

O que há a destacar?
Bom, nesta década o ciclo político é evidente: aceleração da dívida bancária antes das eleições e a sua contenção 6 a 8 meses depois. Também se regista que durante toda a década não houve redução da dívida bancária. Terceiro, a margem para o aumento do endividamento tem-se reduzido. E por fim, destaca-se o volume da dívida das Câmaras à banca em Novembro, quase 5 biliões de euros (dados do BP).
Face a isto o que se pode dizer dos eleitores que se contentam com as obras no pelourinho, ou com o arranjo da praça central, ou com o cheque ao clube da terra, ou com a nova rotunda à entrada da vila? Que andam distraídos, muito distraídos.
Vamos ver se é este ano que alguém fala das dívidas actuais e futuras. Vamos ver se temos mesmo atenção às contas e deixamos a política de quem vier atrás que apague as luzes. Isto porquê?
(E agora voltamos a Cascais.)
O downgrade da dívida de Cascais não tem a ver com razões locais. Cascais vai pagar mais pela sua dívida porque todos vão pagar mais (e cá está a maldita crise). Os bancos também vão ter de cobrar mais pelos empréstimos aos municípios. Hoje, esta é a regra: o aumento do risco financeiro impõe custos acrescidos aos devedores.
Esta é uma razão suplementar para que este ano os eleitores não escolham em função das obras de fachada e tenham também atenção às dívidas. E, já agora, elevem o nível do debate, exijam que os executivos e as oposições apresentem programas quantificados. Exijam ver o que está debaixo do tapete.
Descurar as dívidas é descurar o futuro.
Exigir transparência é contribuir para uma melhor gestão financeira das Câmaras nos próximos 4 anos.

Depois façam a cruzinha.

Luis Rosa

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

FAÇA VOCÊ MESMO - UM BLOG



Aqui fica a sugestão, a todos os que têm interesse ou a obrigação de divulgar informações úteis, para que criem blogs. Esta sugestão dirige-se a associações, empresas e em particular a autarquias e juntas de freguesia. É certo que a maioria das câmaras possuem sites, mas o que muitas vezes acontece é que como a sua actualização depende de peritos informáticos, a informação demora e demora e demora a ser publicada, as minutas caducam e as buscas são verdadeiras caças ao tesouro.
Vantagens de um blog relativamente a um site:
- é gratuito
- fácil de criar
- fácil de manejar
- simples de consultar
- dispõe de zona de comentários para expor dúvidas
- permite uma actualização rápida de todo o tipo de informação.
Imaginemos uma câmara com um blog, ou melhor com um blog por cada departamento.
É que a ideia, de que as pessoas devem passar todos os dias pela montra da junta de freguesia, para descortinar entre os muitos papelinhos afixados, se já foi publicado o regulamento de feiras, já passou de
prazo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

MINI EDIFÍCIO

F
O
R
T
E

N
O
V
O


E
D
I
F
Í
C
I
O


H
A
B
I
T
A
Ç
Ã
O


Rés do chão- 2 apartamentos T1 com sala, cozinha, quarto, casa de banho e varanda.

1º andar- 1 apartamento T2 com hall, sala, dois quartos, duas casas de banho, cozinha e varandas

1 9 9 8

PRÉMIO MUNICIPAL DE ARQUITECTURA E URBANISMO DE SANTO TIRSO

(Paços do Concelho)

"Reproduzir ordem é o objectivo primordial, da arquitectura, uma disciplina que oscila entre os domínios da arte e da ciência, entre o sentimento e a razão. A cidade é um património colectivo e qualquer intervenção sobre a sua estrutura afirma-se como um legado que o enriquece ou degenera. Enquanto organismo vivo que se adapta às necessidades e ambições dos seus habitantes, deseja-se que Santo Tirso tenha um crescimento ordenado e equilibrado, de modo a que a boa forma na construção se traduza não só no bem-estar dos seus utentes directos, mas de todos em geral. Ao criar o Prémio Municipal de Arquitectura e Urbanismo a Câmara Municipal de Santo Tirso pretende reconhecer todos aqueles que contribuem com a sua iniciativa e dedicação para a sedimentação e consolidação de uma cidade onde o belo seja também razão que fundamenta o nosso bem-estar quotidiano. Com esta iniciativa pretende-se ainda sensibilizar os Munícipes, para a criação de uma consciência crítica sobre a transformação urbana, motivando-os para a exigência de um espaço urbano cada vez mais qualificado."
Valor do prémio: 5 000 Euros.
Candidaturas até 31 de Março

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

FAIANÇAS BORDALO PINHEIRO


A fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha encontra-se em risco de fechar portas em consequência da falta de encomendas suficientes que lhe permita prosseguir a laboração. Trabalhadores e administração tentam agora chamar a atenção para o valor económico e cultural que esta fábrica representa para a região e para o país e dizer que tem que haver uma solução.
A histórica fábrica nasceu do sonho de Rafael Bordalo Pinheiro juntamente com a sua irmã, Maria Augusta e pelo amigo Ramalho Ortigão. A escritura da fábrica, foi assinada a 30 de Junho de 1884. Tinha como objectivo «explorar a indústria cerâmica no ramo especial das faianças», e propunha-se lançar no mercado, além de produtos de cerâmica ornamental e de revestimento e louça do tipo que se cultivava nas Caldas «objectos da mais fina faiança estampados com gravuras originais para usos ordinários, e louça ordinária para os usos das classes menos abastadas».

As peças que cria inspiram-se na expressão regional da arte popular do barro que lhe pré-existia nas Caldas da Rainha. A cerâmica vai também servir para aparecerem tipos característicos da nossa sociedade. Uma das criações mais conhecidas é a figura do Zé Povinho, personagem intemporal, desalinhado em energia, na retórica e na postura, desenhado no traço grosseiro da robustez que caricatura o nosso colectivo.
Para além do museu da própria fábrica, algumas das peças podem ser vistas no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, estão presentes na colecção Berardo e em locais de uso tão quotidianos como as paredes da padaria as Rua do Sol ao Rato em Lisboa.



Imagens:
1- Zé Povinho
2- Jarra com patos 1906
3- Prato com 3 lagostas sobre folha de couve
4- Azulejos com borboletas e espigas de trigo 1905





"Tá na hora de partir
pois não posso cá ficar.
Quando de mim precisarem
estou em qualquer lugar."




UMA VELINHA EM FÁTIMA

Por estes dias há um sector no centro do palco, a banca.
Para muitos de nós um banco é uma coisa estranha que - apesar de se chamar banco - não faz mesas nem cadeiras, como o Alfredo Marceneiro, não fornece serviços essenciais como a água ou a electricidade e, mesmo assim, existe há séculos e dá lucros (a par com uma ou outra aldrabice de proporções galácticas).
É estranho!
Vamos avaliar um serviço que a banca presta. Apenas um.
O Banco de Portugal publica mensalmente dados agregados sobre a banca que permitem acompanhar muito do que se vai passando na economia nacional. Um desses dados reporta as responsabilidades que os residentes têm face ao exterior, o que devemos ao exterior.
Em Maio de 2002 essa dívida passou os 100 biliões de euros e manteve-se a subir, com um pequeno solavanco em 2004/05, até Fevereiro de 2008 quando atingiu 166.6 biliões. Como se vê no gráfico, a variável cortou a linha de tendência (linha mais fina) no Verão do ano passado indicando que o movimento de subida está provavelmente esgotado.
Antes de mais o que é 166.6 biliões de euros? Sabemos que é muito, que é mais do que o prémio do Euromilhões. Este montante é maior do que o valor da produção nacional durante um ano, é superior ao Activo de qualquer dos bancos nacionais, ou seja, é mesmo muita massa. E é isto que o sector privado vai ter de pagar aos nossos financiadores.
DEPÓSITOS E EQUIPARADOS DE NÃO RESIDENTES
Milhões de euros
Fonte: Banco de Portugal

Um serviço que a banca faz regularmente é conseguir obter o refinanciamento deste montante junto de investidores europeus, japoneses, árabes, etc. para evitar o curto-circuito do crédito à economia.
Até 2007 esse exercício de refinanciamento não levantava problemas. A crise veio agitar muito profundamente essa calma. Um dos riscos, em maiúsculas, da economia portuguesa é ocorrer uma perturbação nesta cadeia de refinanciamento que seria transmitida de imediato e violentamente às famílias, às empresas de todos os sectores e, em especial, às PMEs e outras sem formas alternativas de financiamento e, por fim, ao emprego.
Afinal a banca sempre faz qualquer coisa e nós, conscientes disso, podemos acender uma velinha em Fátima para que continue a fazer.

Luis Rosa

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

LIVRO VERDE SOBRE A COESÃO TERRITORIAL EUROPEIA

Ciclo de Conferências “Ordenamento do Território e Coesão Territorial.
Contributo para o debate público do Livro Verde sobre Coesão Territorial Europeia”
A Direcção da APG está a organizar o "Ciclo de Conferências Ordenamento do Território e Coesão Territorial". O evento, pretende ser um contributo para o debate público do Livro Verde sobre Coesão Territorial Europeia, promovido pela APG com a colaboração de associações profissionais com interesses e responsabilidades no território.
O ciclo de conferências, para além do lançamento de uma discussão pública alargada sobre estas matérias, tem o objectivo de elaborar e apresentar um contributo da sociedade civil portuguesa à consulta pública lançada pela Comissão Europeia sobre o Livro Verde da Coesão Territorial.
A fim de permitir que o debate envolva um número diversificado de perspectivas, e que possa reflectir as expectativas dos vários níveis de intervenção sobre o território, serão organizadas sete sessões regionais, uma em cada região NUT II.
Faro - 14 de Janeiro
link Livro Verde

TRABALHAR COM UM ARQUITECTO

A Ordem dos Arquitectos, secções Norte e Sul, desenvolveram um guia que constitui uma ferramenta de apoio ao cidadão sobre o enquadramento prático da profissão do arquitecto (o processo que envolve a selecção e contratação de um arquitecto e as diferentes fases de elaboração de um projecto de arquitectura), explicando simultaneamente as mais-valias do seu contributo.
Podendo ser útil como documento de mediação no 1º contacto com um cliente, disponibilizamos aqui o PDF para download:

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

PORTARIA 1532/2008 - SCIE

Foi hoje publicado em Diário da República o novo Regulamento Técnico de Segurança contra
Incêndio em Edifícios (SCIE).
Manda o governo que projectistas e técnicos avaliadores conheçam e apliquem o constante nos (meros) 323 artigos da referida Portaria até 5ª feira, data da sua entrada em vigor.

MARIA VAI-TE COM AS OUTRAS

No futuro a pesquisa e a análise económica vão voltar muitas vezes ao ano que terminou.
Mas as áreas da psicologia têm também muitos condimentos apetecíveis.
Keynes, o economista inglês que identificou as pistas para sair do afundamento de 1930, disse que o banqueiro sólido não é aquele que prevê o perigo e o evita mas aquele que vai à falência de um modo convencional, em consonância com os seus pares. O grave não é falhar, o grave é falhar sozinho.
Isto entra na esfera do " herd behaviour ", os fenómenos que privilegiam a opinião da maioria ou grupo de referência.
Pense-se o seguinte: ao meio dia chega um cliente a um local que tem dois restaurantes que desconhece por completo e são aparentemente equivalentes. Escolhe, ao acaso, o restaurante da direita. Vem de seguida outro cliente que não tendo também nenhum critério de escolha utiliza o único factor objectivo que é seguir a escolha do primeiro cliente pelo restaurante da direita. No fim, seguindo este processo de decisão, haverá um restaurante cheio e outro vazio.
Em relação a 2008 não estamos a falar de restaurantes. Estamos a falar de um pensamento maioritário que abafou durante anos as poucas vozes que iam em sentido contrário. Em primeiro plano está o Fed de Alan Greenspan, que foi incapaz de retirar o champanhe das taças no meio da festa. Em vez disso providenciou Moet & Chandon a preços módicos, depois de 2001.
O arauto da desgraça (Mr Doom) dos últimos anos e actualmente em grande popularidade é Roubini, um irano-israelita nascido em Istambul. Este economista, que vive em Nova Iorque, fez em 2006 a identificação dos grandes riscos dos EUA - que se verificou serem também tóxicos para todo o Mundo. Desde logo os défices externo e de Estado que mostram como os EUA viveram à custa do resto do Mundo, e a gigantesca bolha imobiliária que funcionou como poço sem fundo de sacar dinheiro.
Roubini não antecipou que iria desaparecer a banca de investimentos americana nem que haveria de explodir um esquema de tipo D. Branca de 50 biliões de dólares porque não é bruxo. Identificou simplesmente os grandes traços que não eram sustentáveis porque sabe do que fala e falou.
Por essa altura estes discursos foram ouvidos com desdém pelo pensamento dominante em Washington e em Wall Street e rapidamente apareciam explicações definitivas que autorizavam a continuação da festa. Uma, com certa graça, era a que dizia que os EUA deviam tanto dinheiro ao Mundo porque o Mundo lhes queria emprestar. Numa abordagem contabilística o problema do défice externo americano era o problema do excedente dos outros países.
Como se vê se uma parte disto é economia outra parte tem a ver com o comportamento humano. Tem a ver, nomeadamente, com a nossa tendência de agir em rebanho por ser muito mais fácil do que pensar pela nossa cabeça.


Luis Rosa

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

R.E.N. PORTARIA 1356

Ficam definidas as normas de viabilização de usos e acções nas áreas da Reserva Ecológica Nacional.

NOVO UNIFORME DAS P.M.E. PORTUGUESAS



BIRDWATCHING



O Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a Birds & Nature estabeleceram um contrato de parceria visando organizar, divulgar, promover e implementar um programa de Cursos de Observação de Aves em Áreas Protegidas, no Algarve será no Sapal de Castro Marim. Os cursos de observação de aves, terão uma parte prática e uma teórica, existindo ainda diversas acções para vários tipos de público, desde observação de aves para iniciados, até ilustração e fotografia de aves. Em cada curso será incluída uma secção relativa à conservação da natureza e à biodiversidade, numa perspectiva prática.
Os cursos são abertos ao público em geral, limitados a 20 participantes.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

PRÉMIO PESSOA 2008

O arquitecto João Luís Carrilho da Graça é o vencedor do Prémio Pessoa 2008.

O jornal Expresso que instituiu o prémio em 1987 para distinguir personalidades que marcam a arte, as letra e as ciências, justifica a escolha deste ano com o comunicado, «Carrilho da Graça tem desenvolvido, ao longo de 30 anos, uma actividade profissional com grande rigor e coerência, criando uma linguagem própria que adequa a cada situação específica», refere ainda alguns dos projectos que se destacam na vasta obra do arquitecto português, como são os casos da Escola Superior de Comunicação Social e o Pavilhão Conhecimento dos Mares (ambos em Lisboa), a Igreja de S. Paulo (Macau), o Mosteiro Flor da Rosa (Crato), o Convento de Jesus (Setúbal), o Convento de São Francisco (Coimbra), recuperação do Museu do Oriente (Lisboa) da Escola Superior de Música de Lisboa, da Igreja de Santo António (Portalegre) e do complexo de Auditórios de Música em Poitiers, França.
O prémio é constituído por um diploma e por um montante em dinheiro que subiu este ano de 50 mil para 60 mil euros.