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sexta-feira, 3 de junho de 2011

HÁ QUEM FIQUE DE FORA DISTO?

Em período eleitoral acumula-se o cansaço de ouvir as rajadas de argumentos, as mais das vezes, intragáveis e demagógicos e que soam como ecos de um outro mundo.
O fugir com o rabo à seringa é característica permanente.
Um (apenas um, mas importante) critério para avaliar das responsabilidades que governos e partidos deviam assumir é o desempenho da política orçamental.
O último relatório do Banco de Portugal tem, para este critério, um gráfico muito interessante. Classifica a política orçamental em cada ano civil segundo dois critérios: natureza da política e posição cíclica. Resulta 4 classificações: política restritiva vs política expansionista e política pró-cíclica vs política contra-cíclica. Pelo cruzamento destas classificações são identificadas 4 regiões.
Com o euro, ou seja, num espaço de moeda comum, a política orçamental deveria ser, por regra, contracíclica. Vale a pena repetir: com o euro, ou seja, num espaço de moeda comum, a política orçamental deveria ser, por regra, contracíclica, deve contrariar a tendência do resto da economia.
Isso traduz-se no 2º e o 3º quadrantes do gráfico. Ao inverso, as posições no 1º quadrante não são boas porque tendem a acentuar a fraqueza da economia e as do 4º quadrante também são más porque tendem a estimular uma economia já a carburar acima do potencial. Mas se as finanças do Estado estiverem, como tem sido o caso, em muito mau estado, as posições no 3º quadrante são questionáveis e as do 4º quadrante passam a ser muito más.
A política orçamental restritiva e contracíclica (2º quadrante) é a que deve ser prosseguida para o futuro. Por agora, vamos ter uma política situada no 1º quadrante, ou seja, restritiva e pró-cíclica. Segundo o BP, a política orçamental situou-se no 2º quadrante nos anos 2006, 2007 e 2010 (no gráfico falta 2004).
Para atribuição de responsabilidades este gráfico levanta uma dúvida: há quem fique de fora disto?

Fontes: INE e Banco de Portugal


Luis Rosa

quarta-feira, 6 de abril de 2011

OVERSHOOTING

Overshooting é um jargão de mercado que significa um comportamento de afastamento rápido e muito vincado face aos níveis de equilíbrio, face aos níveis normais.

Nessas circunstâncias, em que há, por exemplo, uma profunda perda de valor de um activo, os agentes são profundamente penalizados e são impelidos a decisões extraordinárias.

A dívida pública nacional está em overshooting, está a dar-nos o nosso tzunami.

Mas, overshooting ganhou em Portugal outro significado: acentuado descolamento dos decisores políticos da realidade financeira.

Torcer a realidade não resulta. Por isso, adivinhem quem vai ganhar o confronto: o governo ou os mercados de dívida?


Luis Rosa

sexta-feira, 4 de março de 2011

GERMAN DIKTAT



O ambiente político europeu mudou de perfume. O projecto europeu mudou definitivamente. Falar hoje da adesão da Turquia ou de solidariedade europeia parece uma cena do Spielberg.
Os novos aromas que estão a vir do Reich são muito spicy. Angela Merkle, em contraste com anteriores Chanceleres, é a face dos rígidos sectores umbiguistas alemães.
Para a liderança alemã o euro é lateral.
Estes sectores estão apostados em trocar o apoio (mínimo) aos países endividados pela perda de soberania destes, conseguida através do chamado Pacto para a Competitividade.
A Alemanha não quer que se fale na PAC nem na confusão dos seus bancos públicos e, muito menos de uma coisa essencial: emissões de dívida para o conjunto dos países do euro.
Para afinar aquela troca, o primeiro-ministro foi, sem rebuço, chamado a Berlim.
Portugal tem um problema de longo prazo que tem de resolver: tem de viver com os seus recursos. (Esquecidos disto desde 1999, estão outros a avivar-nos a memória.)
Mas enfrenta, agora, um sarilho que o ultrapassa: o repentino desaparecimento do funding externo. Isto é, fomos completamente apanhados na curva. E na curva somos mais facilmente chantageados.
Agora, de braço dado com as compras de Mercedes e de BMWs (e de submarinos), preparamo-nos para amochar ao, muito pouco democrático, German Diktat.
Luis Rosa

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O NOSSO RETRATO

O gráfico mostra - linha encarnada - a taxa de variação do Produto Interno Bruto português entre 1961 e 2009. A linha amarela representa a média móvel de 10 anos da taxa de variação do PIB ou, traduzindo, dá uma aproximação à taxa de crescimento potencial da economia. Há ainda a recta a negro que liga os anos de picos de crescimento ou, traduzindo, a taxa máxima que se pode esperar atingir num determinado ano.
Este gráfico é o nosso retrato cronológico e tem diversas mensagens.
Pelos anos 70, com o primeiro choque petrolífero, a economia reduziu o seu crescimento potencial de 6%-7% para menos de 4%.
Nos últimos anos esse nível de crescimento potencial ainda baixou mais, para cerca de 1%.
Mantém-se, assim, a tendência de redução do crescimento económico.
O crescimento limite está abaixo de 2.5% e, por isso, não é de esperar que no futuro próximo ultrapasse este nível.
Resultado: não dá para manter isto como está.
Luis Rosa

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A PÓLVORA E O RASTILHO

O jasmim está a fazer uma tremenda tempestade de areia pelo Norte de África. Começou na Tunísia, considerada um oásis, foi ao medieval Yemen e está a rachar as esfinges egípcias –consta que aqui o governo abriu as prisões para lançar o caos justificador da repressão nas ruas.
Marrocos está a tentar passar despercebido, a Líbia e a Síria têm os segredos bem guardados (e reprimidos) e a Argélia já interditou actividades inconvenientes e deve estar a pensar usar o seu fundo soberano para estancar a contestação.
Mas afinal o que está a acontecer? Isto de se imolarem e exigirem a queda dos tiranos é uma orquestra com todos os instrumentos bem afinados? Deu-lhes “práli” de repente? Ou é tudo obra do facebook e do twitter que empurrou os rapazes para a rua?
Talvez não.
Porque é que o rastilho chegou à pólvora, neste momento?
A pólvora já lá estava. Opressão, cliques corruptas, etc., a que se junta populações enormes confrontadas com recursos escassos. A Turquia tem a maior população, mais de 100 milhões, segue-se o Egipto com mais de 80 milhões e há a Argélia com 35 milhões, etc.
A fazer subir o stock de pólvora está ainda um ritmo demográfico muito alto que alarga o número dos jovens, sem emprego, sem habitação nem futuro. Com a actual crise, o sonho de vir para a Europa é cada vez mais um sonho. Esta válvula de escape deixou de funcionar.
Vamos ao rastilho. O rastilho é a subida dos preços dos alimentos. Trigo, arroz, milho, açúcar têm subido muito recentemente. Estes países dependem da produção de outros e são muito atingidos por estas subidas de preços.
E agora o rastilho chegou à pólvora.
Resta esperar que o jasmim não traga a burka.

Luis Rosa

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A HORA DO BRASIL

Desde 1 de Janeiro Dilma Rousseff é a nova Presidente do Brasil.
Dilma aproveita a onda Lula para comandar um país com 200 milhões de habitantes que têm tido, na última década, melhorias significativas do seu nível de vida.
Esta onda vai manter-se ou o Brasil vai voltar à hiper-inflação e ao descontrolo?
Se o PT tiver juizinho a coisa vai melhorar.
Uma das áreas com melhores perspectivas é o imobiliário. Pelos sites de oferta de casas percebe-se que os grandes centros, como o Rio de Janeiro, têm preços de apartamentos quase ao nível dos preços de Lisboa. Um apartamento de 500 mil Reais é uma pechincha na terra do Zé Carioca e 500 mil Reais sempre são 230 mil euros. Ofertas de luxo, de 1 ou 2 milhões de Reais (entre 450 mil e 900 mil euros) são fáceis de encontrar.
As taxas de juro vão continuar a descer, o que traduzido em miúdos significa que a procura de imóveis vai continuar forte e que os preços vão manter uma tendência de subida.
Mas há mais. O rendimento médio dos brasileiros está a subir e o défice habitacional está estimado em 6.2 milhões de casas. Pelo seu lado a banca faz o que pode. O que era impensável há uns anos é agora pratica normal: estender os empréstimos por 30 anos. E o crédito aumentou mais de 25% em 2010.
À bolina das receitas do petróleo e do capital externo - que se “esmifra” para entrar - o imobiliário do Brasil está na berra e vai continuar.

Agora, só falta o Brasil ganhar o Mundial de 2014.

Luis Rosa

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ESPECULAÇÕES CHINESAS

As tipografias imprimem a bold a taxa mais badalada por estes dias: 7%.
Esta seria a taxa da dívida do Estado a 10 anos a partir da qual passamos do Cabo da Boa Esperança para o Cabo das Tormentas. Os ventos que nos empurram são os ventos poderosíssimos dos especuladores financeiros.
O que se ouve provoca muitas vezes urticária.
Uma das últimas é que os tais especuladores - esses seres - estão a ganhar fortunas com a dívida soberana nacional. (E é verdade em muitos casos). Estariam a comprar dívida para ganharem bom dinheiro. Seria escusado dizer que comprar Portugal hoje é o inverso de especular contra Portugal mas pode render bastante a prazo.
Mas a insistência é que os especuladores andam a comprar a nossa dívida para … especularem.
Interessante é também perceber que alguns destes críticos são também grandes defensores do status quo da China e, como se ouviu, a China mostrou-se disposta a fazer-nos o favor de comprar dívida pública. Obter uma remuneração de 7% ao ano durante 10 anos pode ser um negócio da China.
Não consegui ouvir os defensores do status quo chinês, depois disto, chamar especuladores aos chineses.
Cheira ligeiramente a incoerência.

Luis Rosa


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A GUERRA CAMBIAL

Ao mesmo tempo que acusa os chineses de usarem a moeda (o renmimbi) para suportarem as exportações, os E.U.A. estão a exportar a crise para a Europa.
O câmbio entre o euro e o dólar passou de 1.20 a meio de Junho para 1.40 actualmente. Esta queda do dólar foi devido aos E.U.A. terem convencido toda a gente de que iam manter as taxas de juro muito baixas ad eternum.
Se um depósito em dólares paga zero, o caminho é procurar alguma aplicação que dê um pouco mais. Por isso, há fuga ao dólar e este está a cair em relação ao euro.
Com este pano de fundo, a Europa sair da crise auxiliada pelo aumento das exportações é uma miragem. O azar é que não há outra saída.
Esta guerra cambial – que se pretendia sobre os chineses – por manobras tácticas americanas, está a lançar metralha sobre a Europa. Mas deve ser fogo amigo.

Luis Rosa

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

QUER UMA CASA? COMPRE DAQUI A 30 ANOS

Um estudo recente (BIS Working Papers. No 318. Ageing and asset prices) avalia a relação entre a demografia e o preço dos imóveis (em termos reais) e chega à conclusão de que Portugal é o país de entre os 14 considerados onde o impacto demográfico até 2050 sobre o preço das casas é maior.
Isto é antecipado porque 1º a população está a envelhecer e 2º o rácio de dependência (rácio entre o número de idosos e a população activa) está a subir. O factor demográfico vai agravar-se porque a população não vai crescer e pode até diminuir e também porque o peso dos idosos continuará a aumentar.
E isto é assim porque existe a presunção de que as pessoas acumulam riqueza durante a vida activa para que possam manter o seu nível de vida depois. Ou seja, para além de poder haver uma procura pouco dinâmica porque a população não aumenta, poderá haver alguma pressão de venda por parte da população idosa que também faz baixar os preços.
O estudo, provavelmente, não contou com a oferta latente de casas que há em Portugal devido a factores culturais, jurídicos, etc. que deverá acentuar estes efeitos.
Se a mensagem deste estudo se concretizar podemo-nos dividir em dois grupos: o grupo dos que vão precisar de (mais) habitação nas próximas décadas e o grupo dos que vão precisar de menos habitação nas próximas décadas. O primeiro, o grupo com menos jovens, vai amargá-las – pode querer vender imóveis e … nada. O segundo, o grupo com mais jovens, será beneficiado porque vai aos saldos.
Assim, os que querem comprar casa mas só daqui a alguns anos é que estão (vão estar) bem.
Luis Rosa

quarta-feira, 28 de julho de 2010

ATÉ QUE A RETOMA NOS SEPARE

Portugal e Espanha estão de braço dado, até na Vivo.
Seja por causa da globalização, do mercado único, do euro, das águas do Douro, do Tejo e do Guadiana, ou por tudo isto e mais a crise.
Se a dor de cabeça de um é o galope da dívida do Estado, no outro a enxaqueca vem em tijolos e cimento.
Se um tem os desempregados mais mal pagos da Zona Euro o outro tem um exército produtivo de reserva de 4.6 milhões de pessoas.
Se Portugal não está em condições de apoiar a retoma das exportações espanholas, Espanha também não está nada virada para o made in Portugal.
No fim, os dois foram acumulando dívidas ao longo dos anos para conseguirem levar a “vidinha”.
Este paralelismo também chega ao desempenho da bolsa. Os dois principais índices de acções, o PSI20 e o IBEX, têm tido uma desgraça sintonizada, perderam mais de 30% desde meados de 2008.
E ainda há um pormenor interessante. Até 2009 a volatilidade do PSI20 foi superior à do IBEX. No último ano e meio, ao contrário, o índice espanhol foi menos estável – o que significa ser um investimento mais arriscado. Isto pode significar que a situação crítica de Espanha foi mais surpreendente para quem faz o mercado e era bom que pudesse significar expectativas um pouco menos negativas para a economia portuguesa.
Neste caso, seria a retoma a separar o que a crise uniu fortemente.

Luis Rosa

quinta-feira, 17 de junho de 2010

PREÇOS DO IMOBILIÁRIO RESIDENCIAL

Com a fiabilidade possível o Banco Central Europeu divulgou dados sobre os preços do imobiliário residencial na Zona Euro que permitem algumas leituras.
Entre 1999 e 2006, houve aumentos disparatados dos preços dos imóveis em diversos países, como Espanha que teve aumentos anuais médios de 12.6%.
Em Portugal esse aumento não foi expressivo (1,8% ao ano) e talvez por isso foi o único País, a par com a Áustria, a não registar queda do imobiliário no ano passado.
A queda em Espanha foi de 7,4%. No conjunto da Zona Euro a queda foi de 3,1%.
Mas a habitação cair 7,4% o que, em comparação com outras crises do imobiliário, sabe a pouco. Ou seja, Espanha ainda tem muito lixo debaixo do tapete, que é como quem diz, nos balanços dos bancos. Os bancos andam aflitos para conseguirem financiar (entre outros) os créditos hipotecários e, em especial, os que entraram em incumprimento.
Outro dado relevante é que o preço agregado dos imóveis não caía desde 1982. Ora bem!



Luis Rosa

terça-feira, 1 de junho de 2010

ÂNIMO, BRUXAS E GINJAS

Precisamos de ânimo, de uma luz que pressinta a saída, o caminho a seguir, sobretudo, quando a esperança é incompatível com a realidade.
Mesmo fraco, curtinho, inconsequente, ainda assim, precisamos desse carburante. Ou, como disse o poeta, o que faz falta é animar a malta, o que faz falta
Tentamos encontrá-lo não importa onde: desde as pedrinhas da calçada às estrelas do céu.
Mas nada. Só o enfado das más notícias e há que tempos!
A palração sobre o estado da Nação acrescenta zero.
O estado da Nação (o diagnóstico) está feito.
Precisamos de reagir pelo caminho viável e não há muitos!
Mas voltemos aos estímulos e, já agora, às bruxas.
Em Fevereiro utilizou-se o castelhano para professar que Yo no creo en las bruxas pero que las ay las ay.
Ficou, então, feito o bruxedo: que era provável um percurso longo de perda de valor do euro. Isso está confirmado.
O ânimo e as bruxas, por vezes, andam casados.
O slalom do euro traz algum ânimo. Aos importadores nem por isso. Mas quem exporta e para fora da zona euro, sente hoje – com o euro a 1.23 dólares – algum alívio.
Há coisas inevitáveis. Primeiro, precisamos de aumentar a poupança das famílias, das empresas e do Estado, o que significa nos próximos tempos consumir menos. Precisamos de poupar mais porque estamos nas mãos de credores desconfiados e nervosos.
Segundo, precisamos de exportar. Esta ajudinha vinda do euro fraco sabe que nem ginjas.
Luis Rosa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

YO NO CREO EN BRUJAS, PERO QUE LAS HAY, LAS HAY!!!

No dia 20 de Janeiro a taxa de câmbio euro/dólar caiu abaixo da sua média móvel de 200 dias, um facto digno de nota porque só acontece de tempos a tempos. Como se pode ver no gráfico, desde 2008 só houve mais 2 cortes desta média móvel: Agosto de 2008 - e a taxa de câmbio caiu até Novembro -e Maio de 2009- e a taxa de câmbio esteve a subir até Dezembro.
Não sabemos se são os mercados financeiros que comandam o sul da Europa ou se é o sul da Europa que comanda os mercados financeiros.
Foi a queda do euro que acabou com a música de Zorba o grego, com a fiesta em La Moncloa e levou à erupção do bailinho da Madeira? Será que o euro já sabia em 20 de Janeiro que a Madeira ia dar o seu contributozinho para os nossos buracos orçamentais? Ou foi o rombo das contas dos Estados do sul que levou à queda do euro?
Nunca sabemos bem qual é o sentido da coisa.
Só se sabe que quem apostou no final de Janeiro que o euro ia cair fez uma boa aposta. É esta a beleza dos mercados eficientes, são antecipáveis.

E, yo no creo en brujas…

Luis Rosa

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

UMBIGOS


O umbigo da classe política – chapeau às excepções - parece um labirinto que os impede de encontrar a saída ou então um poço que os faz andar à roda, à roda, à roda.
A coisa está brava. Mas o protótipo da nomenclatura partidária não arreda as palas e fixa obsessivamente o que lhe estabeleceram como objectivo do mês.
Exemplos não faltam. O desplante que constitui a Lei das Finanças Regionais – leia-se a forma oficial de calafetar, ainda mais e de novo e em plena crise, o governo da Madeira – é apenas um.
Mas falemos de coisas bem melhores...
A polémica pré-eleitoral acerca dos grandes investimentos serve. De um lado, os grandes investimentos eram o zénite e o nadir da política económica e essenciais para arrastar o investimento privado e para relançar o País numa era de desenvolvimento. Do outro lado, os grandes investimentos eram, no auge da guerra pré-eleitoral, para arrasar. Teriam de passar por um crivo apertado e boa parte seria abandonada. Por exemplo, o TGV.
Andava tudo distraído? A questão não passa exactamente por opções (supostamente) ideológicas. Não vale a pena inventar divergências que não existem. A coisa é mais simples: a farra vai depender da quermesse e a quermesse está fraca, muito fraca.
O défice do Estado foi 9.3% e a dívida pública vai a caminho de 80% do PIB. Estes números podem não dizer muito mas querem dizer que não há dinheiro, ponto. Não vale a pena polemizar virulentamente. Não vale a pena confrontarem entre si verdades totais. Os grandes investimentos vão fazer-se em versão minimalista, à velocidade de comboio-correio e despachados para as calendas.
Mas isto passava ao lado de muita gente, em especial, dos que imaginam o Universo um apêndice do seu umbigo.

Luis Rosa

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O TI OLÍMPIO

O ti Olímpio semeava calotes pela aldeia. Mas também tinha uma grande lábia e para cravar mais um copo na taberna garantia que, só vacas, tinha pra cima de vinte. E lá ia o copito. Um dia alguém alertou furioso que - qual 20 vacas! – eram só duas e nem sequer eram vacas, eram ovelhas mal tosquiadas.
Com os gregos aconteceu o mesmo. Andaram anos a partir pratos e a varrer os cacos para que ninguém visse. Depois das eleições do Outono alguém viu. Agora, os gregos estão à rasca. E o problema é que não estão sozinhos fazem parte da confraria do euro, ou seja, o que os rapazes andaram a fazer e a esconder vai cair em cima de todos os confrades.
No início de Dezembro, quando ninguém estava preocupado com a Grécia, 1 euro valia 1.51 dólares. Hoje, com os empurrões gregos, vale 1.41, caiu num mês e meio 6.6%.
Mas, também é verdade, que na Europa actual todos somos um pouco gregos: vivemos acima da fasquia, devemos um horror de massa, o Estado está cheio de dívidas e temos uma demografia danada. As chamadas elites – incluindo as partidárias - também são o que são. Agora que o Orçamento do Estado está a ser burilado – ou leiloado – porque não olhar para a Grécia e para as suas ruínas?

Luis Rosa

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

BOA COMPRA OU MÁ VENDA

O gráfico mostra que começou em 2003 uma tendência de desaceleração do crédito à habitação do sistema bancário português. Desde então a taxa de crescimento do volume de crédito passou de 16% ao ano para 2,3% em Setembro passado.
Estamos ainda a contabilizar quase 7 anos de abrandamento deste agregado de crédito.
Temos de pensar que sem o dinheiro dos bancos não havia compra de habitação, esta é a primeira nota. A segunda é que a desaceleração deste volume significa, com grande probabilidade, uma deseceleração ainda maior da procura de casas. E, terceira nota, esta redução da procura teve um impacto negativo sobre o preço dos imóveis.
Para quem tem casa esta evolução parece neutra porque pensamos que a casa tem um valor de uso que se mantém e que o seu preço de mercado é irrelevante para quem não quer comparar nem vender. Mas pode não ser. Alguém que comprou uma casa e vê outras melhores a serem vendidas ao mesmo preço pode ter algum incómodo que advém de sentir que está a incorrer num custo de oportunidade. Aqui está uma má notícia.

Para quem tenciona comprar casa, do ponto de vista das condições do mercado, o gráfico sugere que os preços estão em patamares baixos. É uma boa notícia.

Outra possível boa notícia é que nos próximos meses pode ser confirmado que este é o nível mínimo e que, devagar, os preços vão começar a subir.

Devagar

(fonte: Banco de Portugal)

Luis Rosa

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

À VARA LARGA (ou como se glosa alarvemente com trocadilhos manhosos)


A malta das fábricas têxteis, de calçado, de cablagens, etc. está a ser despedida à grande, à francesa, à canadiana, à tudo. Puf, foi um ar que lhe deu. Os idosos andam a contar os tostões para a farmácia porque já não chega para a cozinha.
Mas cada vez há mais topos de gama nas ruas e gente a aferrolhar-se em condomínios privados. Na gíria, há cada vez mais sinais exteriores de riqueza. Na pop, anda muita gentinha a viver à vara larga.
Mas ninguém sabia de onde vinha o dinheiro. Agora continuamos sem saber até porque é politicamente incorrecto julgamentos na praça pública, sobretudo, de gente influente. Temos de ser todos burros. Mas a suspeita já ninguém nos tira. E temos a suspeita de que nos últimos anos houve óleo de sucateiros que escorreu para bolsos da arraia miúda, para gente de empresas mais ou menos públicas. Untou as mãos de directores para pagar pequenos enganos ou prescrições de processos. O óleo das sucatas foi usado para untar, ou não é mesmo para isso que serve o óleo?

Tás praí a pensar este tipo é básico... não vai além de trocadilhos ridículos.

Mas tenho direito a todos os trocadilhos ridículos, porque me parecem bem e parece-me bem insistir em trocadilhos ridículos com varas e penedos e sucateiros. Eu quero lá saber que me digam que tenho mau gosto ou um sentido de humor alarve. Este país parece um penedo, uma sucata e o meu humor encaixa na perfeição. Este país, onde vale tudo, é agarrado pelos interstícios por um sucateiro.
Porque isto cheira mal, mal a sério. Cheira mal o óleo e o desplante, o à vontade, o sentido de impunidade. Isto cheira pior do que uma matilha de porcos.
Luis Rosa

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SOPA DE LETRAS

Todos os anos, pelas vindimas, o F.M.I. vem anunciar, à boca de cena e de turbante de vidente, as suas previsões para o Mundo. Mas não se fica pelo simples perfil de bruxo, aspira a ter brilho de estrela para guiar os caminhantes na noite. Precisa que acreditem na sua luz.

Desde o Verão de 2007 que o Sol se finou e uma luz dá-nos mesmo jeito.

Entre os mortais fazem-se todo o tipo de apostas sobre: se a Primavera está a chegar, se o degelo já está a fazer subir o rio, se os salpicos de flores vão aumentar, etc. Na moda estão mesmo as apostas sobre o alfabeto. Aposta-se sobre a letra que nos vai cair em cima.

Será o V? O V diz-nos que depois de cairmos no abismo vamos regressar rapidamente ao nível de partida. É a aposta dos optimistas.

Será o L? O L diz-nos que vamos continuar a andar pelos infernos, nada vai melhorar. Esta é a aposta dos pessimistas.

Será o W? O W diz-nos que a actual Primavera só serve para revirar o ciclo das estações do ano porque o Inverno vai voltar e só depois se poderá respirar. Esta é a aposta dos pormenorizados.
Que letra virá então?
O F.M.I. veio anunciar que vamos ter a letra tipo L de biqueira levantada. Uma letra politicamente correcta, nem boa nem demasiado má. Vamos ter um crescimentozinho. Pouco mas vamos crescer.

Estão abertas as apostas.
Luis Rosa

terça-feira, 6 de outubro de 2009

MOÇAMBIQUE

Estão marcadas 3 eleições para Outubro em Moçambique o que juntamente com o Mundial de Futebol na África do Sul em 2010 faz rodar para a África Austral algum interesse português.
Isto, é claro, se a selecção nacional concretizar o que todos esperam.

Após a guerra civil em Moçambique, em 1992, iniciou-se um percurso que levou o país de uma economia conhecida pela exportação de camarão e de caju para outra em que o alumínio e electricidade são dominantes nas exportações. Outra forma sintética de se avaliar as mudanças dos últimos 15 anos é comparar as exportações de alimentos e de minerais e metais entre 1995 e 2007. Em termos globais, o crescimento da economia moçambicana é um caso de sucesso.

Exportações de Moçambique (% do total)

0000000000000 1995 00000000000 2007

Alimentos- 00000000000000000 66 000000000000011

Minérios e metais- 0000000000 2 00000000000000 64
Fonte: WDI, 2009

Infelizmente nem tudo está bem. Visto através dos indicadores de desenvolvimento Moçambique está numa situação extrema. Há uma melhoria geral das condições de vida mas essa melhoria não pode encobrir uma situação humana ainda extremamente débil. A generalidade dos indicadores de pobreza, educação, mortalidade infantil, saúde, etc. continuam a reflectir uma realidade muito difícil e que, mesmo no contexto africano, se compara desfavoravelmente.


Com grandes potencialidades em termos agrícolas e extractivos e voltada para a China e para a Índia, que têm aqui grandes carências, é preciso que o crescimento económico em Moçambique toque mais a generalidade da população e se contrarie uma economia dual em que 75% da população continua a viver com menos de 1.25 dólares por dia.

Talvez o Mundial sirva para alguma coisa.
Luis Rosa

quarta-feira, 22 de julho de 2009

CRITÉRIOS

Atravessamos anos telúricos para o sistema bancário, muitas instituições mudaram de natureza, outras simplesmente desapareceram, uma boa parte anda de mão estendida para o Estado.
Por isso é curioso ver o ranking bancário do The Banker relativo a 2008.
Para The Banker o top 10 é liderado pelo JP Morgan (activo de 2175052 milhões USD) e é composto por 4 bancos americanos, 2 ingleses, um japonês, um francês, um chinês e um espanhol (Santander CH). Entre os bancos portugueses a posição 122 é do BCP e a 127 da CGD.
O resultado é muito diferente se a hierarquia for o volume de activos. Por exemplo, o 2º maior banco em termos de activos é o Deutsch Bank que está na 21ª posição no ranking geral.
Banco - ranking - Activo (m) - Lucro (m)
Royal Bank of Scotland-4 -4229813- 59
Deutsch Bank -21 -2065306- 7
CGD -127 -154572 -921
Neste período conturbado há duas coisas que, ao contrário do que se deveria esperar, não parecem ter nada a ver com a dimensão dos bancos: os lucros e os critérios adoptados pelo The Banker para os hierarquizar. Há um bonito conjunto de perdas entre os bancos que ocupam os primeiros lugares do ranking. Por exemplo, o maior banco em termos de activos é o RBS que está na posição 4 do ranking mas teve 59 milhões de perdas em 2008.
Critérios …

Luis Rosa